Empresários brasileiros enfrentam desafios para transformar crescimento em escala, aponta especialista

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Rica Mello
Rica Mello

Ex-consultor da McKinsey e Bain, Rica Mello apresenta o Exponential Club, nova parceira da Cebrasse

Transformar pequenas e médias empresas em negócios mais estruturados, rentáveis e preparados para crescer de forma sustentável é a missão que move o trabalho do empresário e mentor Rica Mello. Ex-consultor das gigantes globais de estratégia McKinsey e Bain, ele reúne experiência em empreendedorismo, educação executiva e gestão empresarial. Conheça agora a nova parceira da Cebrasse: o Exponential Club.

Rica Mello reúne experiência em estratégia, empreendedorismo e educação executiva. Ex-consultor da McKinsey e da Bain, construiu e escalou negócios próprios que hoje somam mais de R$ 700 milhões em faturamento anual. Atualmente, atua em conselhos de administração, é professor da FIA Business School, especialista em Organizações Exponenciais pela Singularity University e cofundador do Exponential Club, comunidade voltada ao desenvolvimento de empresários de pequenas e médias empresas.

Segundo Mello, um dos principais problemas enfrentados pelos empreendedores brasileiros é a dificuldade de acessar conhecimento estratégico adaptado à realidade das PMEs. Muitas metodologias disponíveis foram criadas para grandes corporações e acabam não funcionando em empresas com estruturas mais enxutas, equipes reduzidas e gestores que ainda acumulam funções operacionais.

Foi justamente para preencher essa lacuna que nasceu o Exponential Club. A iniciativa reúne ferramentas práticas, mentorias e metodologias desenvolvidas para ajudar empresários a superar gargalos de gestão, ampliar resultados e construir negócios mais inteligentes e escaláveis.

Nesta entrevista, Rica Mello fala sobre sua trajetória empresarial, os principais erros de gestão que encontra nas empresas brasileiras, a importância da adaptação do conhecimento estratégico à realidade das PMEs e os caminhos para transformar negócios comuns em organizações preparadas para crescer em um mercado cada vez mais competitivo.

Confira a entrevista completa com Rica Mello

1. Como surgiu a ideia de criar o Exponential Club?

Rica Mello: A ideia surgiu depois que alguns dos meus negócios alcançaram resultados expressivos. Comecei a orientar amigos e colegas empresários que queriam entender como eu havia conseguido escalar empresas que saíram de faturamentos na faixa de R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões para negócios que hoje somam cerca de R$ 700 milhões por ano.

Nesse processo, percebi que os desafios que eu havia enfrentado eram semelhantes aos de muitos empreendedores brasileiros. Foi quando entendi que existia uma missão maior: ajudar pequenas e médias empresas a crescerem de forma estruturada e sustentável.

Também percebi que, ao contribuir para o crescimento desses empresários, eu estava impactando não apenas seus negócios, mas também seus colaboradores, clientes e toda a cadeia econômica ao seu redor. Foi dessa visão que nasceu o Exponential Club.

Qual lacuna vocês identificaram no mercado de consultoria para pequenas e médias empresas?

Rica Mello: Existe uma lacuna importante na aplicação de metodologias e ferramentas de gestão voltadas para pequenas e médias empresas. Grande parte do conhecimento disponível foi desenvolvida para grandes corporações e, na prática, não funciona da mesma forma em empresas menores.

As PMEs normalmente possuem estruturas mais enxutas, equipes menos maduras e empresários que ainda acumulam muitas funções operacionais. Por isso, elas não dispõem dos mesmos recursos, processos e níveis de especialização encontrados nas grandes organizações.

Eu trabalhei durante dez anos em grandes consultorias estratégicas e percebi que havia espaço para traduzir esse conhecimento para a realidade do empreendedor brasileiro. Nossa proposta é justamente adaptar essas metodologias, torná-las aplicáveis ao dia a dia das empresas e acompanhar a implementação, ajudando o empresário a transformar estratégia em resultado concreto.

2. Por que tantas PMEs têm dificuldade em acessar conhecimento estratégico de qualidade?

Rica Mello: As pequenas e médias empresas enfrentam dificuldades para acessar conhecimento estratégico de qualidade por diversos motivos. O primeiro deles é que a maioria dos empresários não foi preparada para empreender. Em geral, o empreendedor identifica uma oportunidade de mercado, assume riscos e aprende na prática, sem uma formação específica em gestão.

Além disso, a rotina de quem empreende costuma ser extremamente intensa. O empresário está constantemente resolvendo problemas operacionais e, muitas vezes, não dispõe de tempo para dedicar um ou dois anos a um MBA ou a uma formação mais aprofundada.

3. Outro desafio é que boa parte do conteúdo disponível é excessivamente teórico.

Rica Mello: O empresário ouve conceitos interessantes, mas frequentemente tem dificuldade de aplicá-los à realidade do seu negócio. Falta um conhecimento prático, acessível e direcionado para os desafios reais das pequenas e médias empresas.

Também existe um excesso de informação. Com tantas fontes disponíveis, muitos empresários acabam sem saber quais metodologias seguir. Quando adotam estratégias que não geram resultados, tornam-se céticos em relação a novos aprendizados. Por isso, encontrar conteúdo realmente aplicável continua sendo um grande desafio para esse público.

4. Qual foi o principal aprendizado da sua trajetória empresarial que motivou a criação do projeto?

Rica Mello: Minha trajetória me trouxe alguns aprendizados fundamentais. O primeiro é que muitas das ferramentas criadas para grandes empresas não funcionam da mesma forma em pequenas e médias organizações. Não basta replicar conceitos ensinados em MBAs ou aplicados por grandes corporações. As estruturas, os recursos, as equipes e os investimentos são completamente diferentes.

Por isso, qualquer metodologia precisa passar por um processo de adaptação antes de ser aplicada à realidade do empreendedor brasileiro.

O segundo aprendizado é que o Brasil não é um país para amadores. Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de estudar mercados em diversos países e viver experiências internacionais. Posso afirmar que o ambiente empresarial brasileiro está entre os mais desafiadores do mundo.

Temos uma carga tributária complexa, concorrência intensa, informalidade em diversos setores e dificuldades relacionadas à formação da mão de obra. Tudo isso exige um nível de gestão muito elevado para que uma empresa consiga crescer de forma sustentável.

Por fim, aprendi que o empresário não precisa enfrentar essa jornada sozinho. Quem busca aprender com a experiência de outros empreendedores encurta caminhos, evita erros e acelera resultados. O acesso a referências, mentorias e comunidades empresariais pode representar uma enorme diferença na trajetória de crescimento de um negócio.

5. Quais são os erros de gestão mais comuns que vocês encontram nas empresas atendidas?

Rica Mello: Um dos erros mais frequentes está na gestão financeira. Muitos empresários não conhecem profundamente os números do próprio negócio. Em geral, delegam essa responsabilidade à contabilidade e deixam de acompanhar indicadores essenciais para a tomada de decisão.

Questões como margem bruta, margem líquida, estrutura de custos, nível de despesas, endividamento e geração de caixa muitas vezes não são analisadas de forma consistente. Sem esse conhecimento, torna-se difícil identificar oportunidades de melhoria e sustentar o crescimento da empresa.

Outro problema recorrente é a ausência de metas e indicadores de desempenho para todas as áreas da organização. Muitas empresas possuem objetivos comerciais, mas não estabelecem métricas claras para acompanhar resultados operacionais, financeiros e estratégicos.

Também observamos pouca utilização de indicadores de performance e acompanhamento de projetos, ferramentas fundamentais para garantir a execução das estratégias definidas.

Por fim, existe um erro que costumo chamar de “delargação”. O empresário delega tarefas e responsabilidades, mas não acompanha a execução. Delegação sem acompanhamento não gera resultado. Quando isso acontece, projetos deixam de avançar, problemas permanecem sem solução e a empresa entra em um ciclo de estagnação.

Muitas vezes, o empresário trabalha intensamente, resolve problemas diariamente e dedica longas horas ao negócio, mas não consegue romper determinado limite de crescimento justamente pela falta de gestão estruturada.

6. Em que momento o empresário percebe que precisa de ajuda externa para crescer?

Rica Mello: Normalmente, isso acontece em dois momentos.

O primeiro é quando a empresa enfrenta uma crise significativa. As vendas caem, os resultados pioram e o empresário percebe que não consegue resolver os problemas apenas com os recursos e conhecimentos disponíveis internamente. Infelizmente, esse costuma ser um momento tardio, quando os prejuízos financeiros, emocionais e até familiares já são consideráveis.

O segundo momento ocorre quando a empresa alcança um determinado patamar e encontra dificuldades para continuar crescendo. O negócio está funcionando, mas não consegue ultrapassar um limite de faturamento, lucratividade ou complexidade operacional.

É justamente nesse estágio que muitas empresas nos procuram. Nosso trabalho consiste em ampliar as capacidades da organização para que ela consiga atingir um novo nível de desempenho.

Costumamos dizer que ajudamos empresas comuns a se tornarem empresas inteligentes. Fazemos isso por meio de metodologias de gestão, processos estruturados, indicadores, acompanhamento próximo e, cada vez mais, com o apoio da inteligência artificial.

Hoje, utilizamos dados e ferramentas de IA integradas aos sistemas das empresas para fornecer respostas em tempo real sobre problemas que impactam diretamente os resultados. Isso permite decisões mais rápidas, maior eficiência operacional e uma gestão muito mais estratégica.

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