A Reforma Tributária não é problema do seu contador. É problema do seu negócio.

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A Reforma Tributária não é problema do seu contador. É problema do seu negócio

Há meses venho repetindo uma mesma ideia em palestras, reuniões, artigos e debates:

A Reforma Tributária não é uma mudança do departamento fiscal.

Ela é uma mudança de negócio.

Muitos empresários ainda acreditam que a chegada do IBS e da CBS será resolvida com uma atualização de software, um treinamento da equipe fiscal ou uma adaptação na emissão de notas fiscais.

Tudo isso será necessário.

Mas não é aí que mora o verdadeiro desafio.

O desafio está no fato de que a Reforma altera a lógica econômica que sustenta preços, margens, competitividade e modelos operacionais.

E isso não pertence ao departamento contábil.

Pertence à mesa de decisão da empresa.

Quando o próprio arquiteto da Reforma confirma a tese

Recentemente, Bernard Appy, um dos principais idealizadores da Reforma Tributária brasileira, fez uma declaração que chamou atenção do mercado.

Segundo ele:

“Quem é muito ineficiente, que só vive em cima de distorção do atual sistema tributário, vai quebrar.”

A frase gerou repercussão imediata.

Mas a interpretação mais importante talvez tenha passado despercebida.

Appy não está dizendo que empresas quebrarão por causa do imposto.

Ele está dizendo que algumas empresas poderão enfrentar dificuldades porque construíram sua competitividade sobre distorções que deixarão de existir.

Existe uma diferença enorme entre essas duas afirmações.

Competitividade ou dependência?

Durante décadas, parte das empresas brasileiras aprendeu a competir dentro de um ambiente extremamente complexo.

Em muitos casos, o diferencial não estava na eficiência operacional.

Não estava na qualidade.

Não estava na inovação.

Estava na capacidade de navegar melhor pelo labirinto tributário.

  • Benefícios regionais;
  • Regimes especiais;
  • Incentivos setoriais;
  • Diferenças de tributação entre estados;
  • Estruturas construídas exclusivamente para aproveitar exceções.

Esse cenário criou uma falsa sensação de vantagem competitiva.

Com a Reforma Tributária, boa parte dessas distorções tende a desaparecer.

E isso força uma pergunta desconfortável:

Sem o benefício fiscal, seu negócio continua competitivo?

O verdadeiro impacto da Reforma

Quando empresários pensam na Reforma, normalmente associam o tema à área tributária.

Mas os impactos reais serão muito mais amplos.

A discussão passa a envolver:

  • Formação de preços;
  • Revisão de margens;
  • Estrutura da cadeia de fornecedores;
  • Aproveitamento de créditos;
  • Estratégia comercial;
  • Posicionamento de mercado;
  • Eficiência operacional.

Nenhum desses assuntos é exclusivamente tributário.

Todos são temas de gestão.

Por isso, a Reforma precisa ser tratada como um projeto estratégico da empresa.

Não como uma tarefa operacional do setor fiscal.

O papel do contador está mudando

Isso não reduz a importância da contabilidade.

Pelo contrário.

Ela se torna ainda mais relevante.

Mas o foco muda.

O contador do futuro não será apenas aquele que conhece as regras.

Será aquele que ajuda o empresário a tomar decisões melhores.

As perguntas mais importantes dos próximos anos serão:

  • Quanto da minha margem depende de eficiência real?
  • Quanto depende de benefícios que estão desaparecendo?
  • Minha precificação suporta o novo modelo?
  • Minha estrutura operacional está preparada?
  • Minha empresa está construindo vantagem competitiva verdadeira?
  • Ou apenas aproveitando distorções temporárias?

A Reforma não é sobre tributos

A Reforma Tributária é frequentemente apresentada como uma discussão técnica.

Na prática, ela é uma discussão sobre competitividade.

As empresas que começarem agora a revisar seus processos, suas margens e seu modelo operacional terão tempo para se adaptar.

As que enxergarem a Reforma apenas como uma mudança fiscal provavelmente chegarão atrasadas.

O maior erro que um empresário pode cometer hoje é acreditar que a Reforma é um problema do contador.

Porque os impactos mais profundos não estarão na apuração.

Estarão no negócio.

E negócio sempre foi responsabilidade da liderança.

Jorge Segeti
CEO da Segeti Consultoria | VP do SESCON-SP | Diretor Técnico da Cebrasse – Central Brasileira do Setor de Serviços | Membro da Board Academy

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/reforma-tribut%C3%A1ria-n%C3%A3o-%C3%A9-problema-do-seu-contador-neg%C3%B3cio-segeti-mfdtf/

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