Durante oito dias, empresários e lideranças brasileiras participaram de visitas técnicas, encontros institucionais e feiras internacionais em Xangai, Hangzhou e Pequim. Inteligência artificial, robótica e automação estiveram entre os destaques da programação, que também apontou caminhos para enfrentar a escassez de mão de obra no Brasil.
A Missão China 2026, promovida pela Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse), em parceria com a Continental Corporation, aproximou empresários brasileiros de empresas e centros de inovação tecnológica chineses e ampliou as perspectivas de cooperação comercial entre os dois países. Realizada entre 28 de outubro e 4 de novembro, a iniciativa percorreu as cidades de Xangai, Hangzhou e Pequim, proporcionando uma imersão no ambiente empresarial chinês e apresentando soluções com potencial de aplicação no setor de serviços brasileiro.
Com o tema “Negócios, Inovação e Conexões Globais”, a missão reuniu lideranças empresariais em uma programação que incluiu visitas a empresas de tecnologia, participação em feiras internacionais, encontros institucionais e debates sobre inteligência artificial, robótica, automação, transformação digital e futuro do trabalho.
Ao fazer um balanço da experiência, o presidente da Cebrasse, João Diniz, destacou a qualidade das visitas técnicas, as oportunidades de negócios identificadas e a receptividade encontrada durante a viagem. Segundo ele, a missão também contribuiu para transformar sua percepção sobre a China e seu potencial de cooperação com o Brasil. “Eu fiz uma declaração dizendo que tinha um pé atrás da China. Agora eu tenho dois à frente”, afirmou.
Diniz também ressaltou a hospitalidade e a disposição dos chineses em receber os visitantes brasileiros, mesmo diante das dificuldades de comunicação. “O povo chinês é fantástico, educado, sensível. Apesar de toda a barreira linguística, eles fazem de tudo para poder atender a gente”, relatou.
Tecnologia e oportunidades de negócios
Um dos principais resultados da missão foi o contato direto com empresas que desenvolvem soluções tecnológicas em áreas estratégicas para a economia mundial.
Entre os destaques da programação estiveram visitas e atividades relacionadas a empresas como Alibaba, referência em comércio eletrônico e inteligência artificial; Dahua, especializada em soluções de segurança eletrônica e tecnologia; e Unitree, fabricante de robôs e equipamentos de robótica avançada.
Os empresários brasileiros tiveram a oportunidade de conhecer tecnologias que vêm transformando processos produtivos, modelos de negócios e formas de prestação de serviços, além de avaliar possibilidades de incorporação dessas soluções ao mercado nacional.
Para João Diniz, a diversidade das experiências foi um dos pontos positivos da missão. “Tivemos visitas fantásticas, como a do BRICS, que foi muito importante, com oportunidades de negócios. Visitas a empresas de tecnologia, de inteligência artificial, como o Alibaba, de robótica e eletrônica, como a Dahua, a Unitree. Foram todas visitas excelentes”, avaliou.
A programação também contemplou o contato com equipamentos, sistemas e soluções voltados a diferentes segmentos do setor de serviços, permitindo aos participantes conhecer alternativas para aumentar a produtividade, modernizar operações e ampliar a competitividade das empresas brasileiras.
Além do intercâmbio de conhecimento, a missão estimulou discussões sobre importação de equipamentos e insumos, formação de parcerias comerciais, qualificação profissional e adoção de tecnologias capazes de melhorar a eficiência das atividades empresariais.
Automação e robótica podem ajudar a enfrentar a falta de mão de obra no Brasil
Entre as reflexões apresentadas durante a missão, ganhou destaque o potencial da tecnologia chinesa para contribuir com um dos desafios enfrentados pelo setor de serviços brasileiro: a dificuldade de contratação e a escassez de profissionais qualificados em determinadas atividades.
Na avaliação do presidente da Cebrasse, o avanço da automação e da robótica pode representar uma alternativa importante para as empresas brasileiras, especialmente em funções que permitem a incorporação de equipamentos e sistemas tecnológicos.
“Eu acho que o que a China pode ajudar a gente é no quesito de automação e robótica. É um meio de migração da mão de obra para a eletrônica e robótica. Isso acho que é uma coisa importante para a gente otimizar a falta de mão de obra que nós temos”, afirmou João Diniz.
A avaliação reforça a importância de acompanhar as transformações tecnológicas e identificar soluções que possam ser adaptadas às necessidades do mercado brasileiro. A incorporação de equipamentos automatizados, sistemas inteligentes e ferramentas de robótica pode contribuir para reorganizar processos operacionais, reduzir a dependência de atividades manuais repetitivas e permitir que profissionais sejam direcionados a funções que demandem maior qualificação.
Ao mesmo tempo, a modernização tecnológica exige investimentos em capacitação e atualização profissional, de modo que empresas e trabalhadores possam acompanhar as mudanças nos modelos de prestação de serviços.
Apesar do elevado desenvolvimento tecnológico chinês, João Diniz chamou atenção para uma característica observada durante a viagem: a presença ainda significativa do trabalho humano em diferentes atividades do setor de serviços. “Por outro lado, a gente vê que, dentro da própria China, muito pouca coisa é automatizada no setor de serviços. Então, a gente não sabe se é por excesso de mão de obra deles ou se realmente eles também ainda não chegaram nessa fase, apesar de já terem produtos nesse sentido”, observou.
A constatação, segundo a perspectiva apresentada pelo dirigente, evidencia que o desenvolvimento de tecnologias avançadas não significa necessariamente sua adoção generalizada em todos os segmentos da economia.
Para os empresários brasileiros, a experiência ofereceu elementos para refletir sobre os desafios e as oportunidades da transformação digital, considerando as particularidades de cada mercado.
Feiras internacionais ampliaram contato com soluções para limpeza e segurança
A participação em feiras internacionais também integrou a programação da missão, permitindo que os empresários conhecessem equipamentos e tecnologias direcionados a atividades com forte presença no setor de serviços brasileiro. No dia 28 de outubro, os participantes visitaram uma feira do segmento de limpeza profissional, onde tiveram contato com equipamentos, insumos e soluções voltadas à modernização das operações.
Segundo João Diniz, a atividade proporcionou oportunidades para que os empresários avaliassem tecnologias e equipamentos com potencial de utilização em seus negócios. “Fizemos uma feira de limpeza, onde vários empresários tiveram a oportunidade de verificar os equipamentos”, destacou.
A programação também incluiu uma feira voltada ao segmento de segurança, encerrando o ciclo de atividades e ampliando o contato dos participantes com soluções tecnológicas para o setor. E também permitiram observar tendências relacionadas à automação de processos, utilização de equipamentos inteligentes e desenvolvimento de soluções destinadas a melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados.
O contato com fornecedores e fabricantes chineses também abriu espaço para avaliar possibilidades de aquisição de tecnologias, parcerias comerciais e intercâmbio de conhecimento entre empresas dos dois países.
Cebrasse reforça papel de aproximação entre empresas brasileiras e chinesas
Além do conhecimento tecnológico, a Missão China 2026 teve como objetivo fortalecer o relacionamento institucional e comercial entre representantes do setor produtivo brasileiro e organizações empresariais chinesas.
Durante a programação, a Cebrasse buscou ampliar os canais de diálogo com empresas e instituições locais, colocando sua estrutura à disposição para facilitar a aproximação entre potenciais parceiros comerciais.
Em uma das visitas técnicas realizadas em Xangai, João Diniz destacou o interesse da entidade em dar continuidade às relações iniciadas durante a missão e convidou representantes de empresas chinesas a conhecerem o mercado brasileiro.
Na ocasião, ressaltou que a Cebrasse poderia atuar como uma ponte entre empresas chinesas e o setor de serviços nacional, contribuindo para a identificação de oportunidades de cooperação e para o fortalecimento das relações comerciais e institucionais.
A iniciativa reforçou o papel da entidade na representação empresarial e na promoção de ações voltadas à modernização e ao desenvolvimento do setor de serviços brasileiro.
Ao reunir representantes de diferentes segmentos em uma agenda internacional, a missão também favoreceu a troca de experiências entre os próprios empresários participantes, ampliando o debate sobre produtividade, inovação, gestão e competitividade.
Perspectivas para o setor de serviços brasileiro
O encerramento da Missão China 2026 marcou a conclusão de uma programação de oito dias dedicada ao intercâmbio empresarial, ao conhecimento de novas tecnologias e à identificação de oportunidades comerciais.
Mais do que apresentar equipamentos e soluções inovadoras, a experiência permitiu aos participantes observar como empresas chinesas desenvolvem tecnologias e organizam suas atividades, oferecendo referências para futuras estratégias de modernização no Brasil.
As possibilidades identificadas ao longo da viagem abrangem desde a adoção de ferramentas de inteligência artificial e automação até o estabelecimento de parcerias comerciais, importação de equipamentos e desenvolvimento de iniciativas de qualificação profissional.
A avaliação positiva de João Diniz sintetizou o resultado da missão e a importância de ampliar o relacionamento com o mercado chinês.
Com a conclusão da programação, a Cebrasse reforçou seu compromisso com a promoção de iniciativas que aproximem o setor de serviços brasileiro das transformações tecnológicas internacionais, estimulem a competitividade empresarial e contribuam para a construção de novas oportunidades de negócios.
A missão deixou como principal perspectiva a possibilidade de transformar os contatos e conhecimentos adquiridos em futuras parcerias e projetos de inovação, fortalecendo a integração do setor de serviços brasileiro às cadeias globais de negócios e tecnologia.




