Setor de serviços avança 10,9% em 2021 e supera perdas de 2020

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Com resultado, setor fechou o ano passado 6,6% acima do patamar pré-pandemia e foi o principal destaque da recuperação da economia no ano passado. Recuperação, porém, se mostra desigual entre os segmentos.

Setor de serviços avança 10,9% em 2021 e supera perdas de 2020 Com resultado, setor fechou o ano passado 6,6% acima do patamar pré-pandemia e foi o principal destaque da recuperação da economia no ano passado. Recuperação, porém, se mostra desigual entre os segmentos.

Nos primeiros meses de 2020, o setor de serviços foi duramente afetado em função da necessidade de isolamento social e do fechamento dos estabelecimentos que prestavam serviços de caráter presencial. Por outro lado, a pandemia trouxe oportunidades de negócios para serviços voltados às empresas, como os de tecnologia da informação, transporte de cargas, armazenagem, logística de transporte e serviços financeiros auxiliares, que tiveram ganhos mais expressivos e compensaram as perdas dos serviços de caráter presencial”, destacou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo. O setor de serviços é o que possui o maior peso na economia brasileira e foi o mais atingido pela pandemia de Covid-19. Mesmo assim, foi o principal destaque de recuperação em 2021, impulsionado pelo avanço da vacinação e pelo fim de boa parte das medidas restritivas para conter a disseminação do coronavírus. O setor de serviço foi também o que mais abriu vagas com carteira assinada no ano passado.

“A reação dos serviços só veio mesmo em 2021. Havia um ‘delay’ para serviços e por isso essa escala maior de crescimento no ano passado”, destacou Lobo, lembrando que o varejo e a indústria conseguiram iniciar mais cedo o movimento de recuperação.

Veja o resultado de 2021 em cada um dos segmentos:

Serviços prestados às famílias: 18,2% • Serviços de alojamento e alimentação: 20,1%

Outros serviços prestados às famílias: 8,2%

Serviços de informação e comunicação: 9,4%

Serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC): 9,4%

Telecomunicações: -0,2%

Serviços de tecnologia da informação: 24,8%

Serviços audiovisuais: 10,1%

Serviços profissionais, administrativos e complementares: 7,3%

Serviços técnico-profissionais: 12,1%

Serviços administrativos e complementares: 5,4%

Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: 15,1%

Transporte terrestre: 14,7%

Transporte aquaviário: 14,6%

Transporte aéreo: 37%

Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: 11,9%

Outros serviços: 5%

Serviços crescem em todas as regiões do país

No acumulado do ano, a alta no volume de serviços no Brasil foi verificada nas 27 unidades da federação. O principal impacto positivo veio de São Paulo (11,5%), seguido por Minas Gerais (14,0%), Rio de Janeiro (7,3%), Rio Grande do Sul (12,1%) e Santa Catarina (14,7%).

Alta de 0,4% no 4º trimestre

Em dezembro o setor de serviços registrou avanço de 1,4% em relação ao mês anterior, segundo mês de alta. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o volume apresentou ganho de 10,4%, 10ª taxa positiva. Ambos os resultados ficaram acima das expectativas. Pesquisa da Reuters projetava ganhos de 0,9% na comparação mensal e de 9,1% na base anual. No 4º trimestre de 2021, o setor teve avanço de 0,4%, na comparação com o trimestre anterior, marcando a sexta alta trimestral seguida. Assim como o restante da economia, porém, o setor mostrou perda de fôlego na reta final do ano, com desaceleração do ritmo de recuperação. No 1º trimestre, a alta tinha sido de 3,2%, no 2º trimestre, de 2,2%, e no 3º trimestre, de 3%, no comparativo com o trimestre imediatamente anterior.

Recuperação forte, porém desigual

No acumulado de janeiro a dezembro de 2021, houve alta nas 5 atividades pesquisadas e em 74,1% dos 166 tipos de serviços investigados. As contribuições mais importantes para o avanço do setor no ano foram de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (15,1%) e informação e comunicação (9,4%), segmentos que foram favorecidos pela maior demanda por digitalização, avanço do comércio eletrônico e maior consumo de novos tipos de serviços como entrega de comida e transporte via aplicativo. O gerente da pesquisa destacou que, entre 2012 para 2019, o setor de serviços acumulou uma variação positiva de 0,1% e, no biênio 2020-2021, uma alta de 2,2%. Ou seja, boa parte do crescimento acumulado dos últimos 10 anos (2,3%) é resultado direto do desempenho mais dinâmico destes segmentos de serviços que ganharam protagonismo após a pandemia.

Vale destacar que a recuperação do setor tem se mostrado incompleta e desigual. Nos serviços profissionais e administrativo, nos serviços prestados às famílias, no transporte aéreo e telecomunicações, o crescimento de 2021 não foi suficiente para retomar o nível prépandemia. Veja gráfico abaixo: O nível de serviços prestados às famílias, que incluem atividades de caráter mais presencial, teve alta pelo 9º mês seguido, mas mesmo assim fechou o ano passado ainda 11,2% abaixo do patamar prépandemia e 21,8% abaixo do ponto mais alto de série.

Impactos de mudanças de hábitos de consumo

A diferença de comportamento entre as diferentes atividades do setor de serviços é explicada também pelas mudanças de hábitos de consumo provocadas pela pandemia, com as famílias permanecendo mais tempo dentro de casa e trocando gastos com lazer e restaurantes, por exemplo, por compras em supermercado e pela internet.

“Há um movimento de empresas de delivery tirando receita de restaurantes, e a pandemia acentuou isso. Empresas que atuam nesse segmento de entrega de alimentação tiveram ganhos de receita e parte desse ganho é retirado dos restaurantes. Essa é uma característica dos serviços prestados às famílias”, explica Lobo. Na mesma direção, serviços digitais como portais, provedores de conteúdo e aplicativos também tiveram um forte aumento de demanda. “Vemos ainda espaço para a recuperação dos serviços prestados às famílias, uma vez que este se encontra 11,2% abaixo do nível de prépandemia. Destacamos, contudo, que a inflação alta e o aperto das condições monetárias devem ser obstáculos para um crescimento robusto do setor”, avaliou Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco Modalmais.

Segmento de turismo cresce 21,1% em 2021, mas não elimina perdas O subíndice de atividades turísticas cresceu 3,5% em dezembro e cresceu 21,1% em 2021, impulsionado, sobretudo, pelos ramos de transporte aéreo, hotéis, restaurantes rodoviário coletivo de passageiros e locação de automóveis. Contudo, o segmento de turismo ainda se encontra 11,4% abaixo do patamar pé-pandemia e não conseguiu eliminar as perdas de 2020 (- 36,7%), ainda sendo afetado pela menor circulação de pessoas em atividades ligadas ao lazer.

Segmento de turismo cresce 21,1% em 2021, mas não elimina perdas O subíndice de atividades turísticas cresceu 3,5% em dezembro e cresceu 21,1% em 2021, impulsionado, sobretudo, pelos ramos de transporte aéreo, hotéis, restaurantes rodoviário coletivo de passageiros e locação de automóveis. Contudo, o segmento de turismo ainda se encontra 11,4% abaixo do patamar pé-pandemia e não conseguiu eliminar as perdas de 2020 (- 36,7%), ainda sendo afetado pela menor circulação de pessoas em atividades ligadas ao lazer.

Com base no resultados de serviços, comércio e indústria em dezembro, a XP passou a projetar alta de 0,3% no resultado do PIB do 4º trimestre alta de 0,3% ante o 3º trimestre e crescimento de 4,5% da economia brasileira em 2021.

Os economistas do mercado financeiro projetam atualmente um avanço de apenas 0,30% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2022, bem abaixo da média global, segundo o último boletim Focus do banco Central. A previsão do mercado para a inflação fechada de 2022 está em 5,44%.

Com isso, a expectativa é de estouro do teto do sistema de metas pelo segundo ano seguido. A meta central para o IPCA deste ano é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar entre 2% e 5%. Já a expectativa para a taxa básica de juros da economia é de que a Selic encerrará 2022 em 11,75% ao ano, e parte dos analistas avaliam que a taxa pode superar os 12%.

Fonte: G1

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