Será o fim do home office?

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Em 2022, o influente dono da Tesla, Spacex e do X (ex-Twitter), Elon Musk, declarou que times em home office fingem que trabalham. A grande pergunta que fica é: e as lideranças, fingem que lideram? Será que os executivos ao redor do mundo de fato estão preparados para os novos tempos, liderando pessoas com perfis, idades, desejos e propósitos muitas vezes distintos? Ser um líder não é uma tarefa simples, pois é preciso orquestrar projetos, processos, pessoas e milhares de variáveis externas que afetam o dia a dia da corporação e seus resultados. Para além do glamour de sentar-se em uma cadeira de gestão, cada vez mais será exigido aos líderes que façam de fato a real diferença na empresa e na vida das pessoas.

Muitas lideranças, com práticas atrasadas, têm tentado forçadamente adaptar-se ao moderno conceito de gestão por performance, já que não é mais possível ter controle total dos colaboradores em casa. O mundo pede leveza e esse mesmo conceito precisa ser aplicado dentro das organizações. Para ser um líder eficiente é preciso engajar as pessoas e estabelecer laços de confiança. A administração pelo medo e controle já caiu em desuso há tempos. Usualmente, quem adota esse tipo de gestão, atrasada, são lideranças com baixa autoestima, que têm falta de confiança, além de ausência de delegação e de controle emocional.

O tema sobre o home office ainda divide opiniões. Mas uma coisa é certa: não há fórmula mágica ou uma receita única. Cada caso precisa ser analisado, entendido e estruturado conforme a realidade de cada companhia e de cada nível hierárquico do profissional em questão. Há inúmeros casos de empresas que aumentaram seu faturamento, reduziram custos, melhoraram o clima organizacional e ficaram mais atrativas. Isso porque os melhores talentos decidem se querem ou não trabalhar em determinado lugar, de acordo com seus objetivos e propósitos. O poder está compartilhado: as empresas e os profissionais escolhem.

O home office trouxe diversas possibilidades que antes não eram possíveis, como a diversificação de contratações para além de onde a empresa está fisicamente. E muitos gostaram e se adaptaram. É preciso analisar caso a caso, posição por posição, setor por setor, mas, sobretudo, questionar constantemente o papel dos líderes e sua respectiva gestão, independentemente do modelo adotado.

Para aqueles em que esse modelo é viável, é muito interessante adotar, no mínimo, o formato híbrido, ou seja, o profissional fica alguns dias em casa e, em outros, vai à corporação. As empresas que não estiverem atentas a esse novo desejo dos profissionais, deixarão escapar seus melhores talentos para o seu concorrente, que proporcionará isso a eles. Diariamente, corporações perdem a atração para diversos candidatos a um cargo, quando não há a possibilidade de teletrabalho.

Há muitos ganhos positivos na adoção do home office, seja para as empresas ou para os colaboradores. Do lado do empregado, ficou evidente que melhorou a qualidade de vida, a partir do momento em que ele não precisa mais se deslocar para o trabalho. Assim, pode empreender esse tempo, em que estaria no trânsito, para fazer exercícios físicos em casa ou mesmo adiantar as tarefas diárias, bem como estar mais presente junto aos seus familiares.

A preocupação de algumas empresas é o distanciamento dos colaboradores que estão home office ou no modelo híbrido, da cultura. É preciso entender que trabalhar remotamente não impede a construção de uma cultura forte da organização. Esse é o resultado do que as pessoas pensam, sentem e fazem no dia a dia, presencial ou virtualmente. Vale destacar que cultura é diferente de clima organizacional.

Quem trabalha home office precisa estar atento para conseguir equilibrar saúde mental por conta do isolamento social. É de vital importância planejar bem o tempo dedicado ao campo profissional e ao pessoal. Estabelecer horários para os seus afazeres, como acordar, se alimentar, trabalhar e demais atividades extras, buscando uma lógica que atenda às duas demandas é importante.

Fato é que as discussões sobre os pontos positivos e negativos do home office seguirão ao longo de 2024, mas é de vital importância repensar os modelos de gestão e as competências e habilidade das lideranças. O que nos trouxe até aqui, certamente, não nos levarão aos próximos tempos. Não cabe mais decisões autocráticas em ambientes onde busca-se estimular a inovação, a criatividade, a diversidade e a conexão com o propósito. Felicidade no trabalho, fato comprovado por inúmeras pesquisas, afeta diretamente no faturamento da organização. Culpar a improdutividade para uma tomada de decisão de retorno 100% presencial é isentar o trabalho que os líderes precisam fazer.

* CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos, presente em 30 países pela Agilium Group. É conselheiro de Administração e professor convidado pela Fundação Dom Cabral; conselheiro da ABRH MG, ­ACMinas e ChildFund Brasil.

Fonte: Diário do Comércio

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