Sindhosp completa 85 anos e lança um livro sobre os desafios do setor no período da Covid

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Câmara de São Paulo homenageia os 85 anos do SindHosp
Câmara de São Paulo homenageia os 85 anos do SindHosp

Presidente Francisco Balestrin fala em entrevista exclusiva à Cebrasse sobre as comemorações e os desafios da entidade

O presidente do Sindhosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do estado de São Paulo) Francisco Balestrin entregou nas mãos do então Presidente em exercício do Brasil, Geraldo Alckmim, que também é médico, o livro “Vírus Mortal: Os Hospitais Privados Paulistas, o SindHosp e a Pandemia da Covid-19” em comemoração dos 85 anos do SINDHOSP.

O livro mostra a trajetória dos estabelecimentos que estiveram à frente da assistência aos infectados pelo coronavírus e, em paralelo, as iniciativas do SindHosp durante esta que foi a pior crise sanitária em 120 anos. Entre 2020 e 2022, o Sindicato realizou 30 pesquisas sobre a situação da Covid-19 nos hospitais privados paulistas. São estes levantamentos que sustentam a obra, pois permitem acompanhar, por exemplo, as curvas ascendentes e descendentes das taxas de ocupação dos leitos.

João Diniz com o presidente Francisco Balestrin
João Diniz com o presidente Francisco Balestrin

O SindHosp foi fundado em 1938 em um momento muito conturbado da história. No Brasil, Getúlio Vargas havia cancelado as eleições presidenciais aplicando um golpe de Estado. Os trabalhadores, principalmente os imigrantes, começavam a se organizar em sindicatos e pressionavam os patrões por melhores salários. O cenário internacional era ainda mais desafiador. Na Europa, enquanto muitos países ainda tentavam se reestruturar da devastação da Primeira Guerra Mundial, Adolf Hitler se autodeclarava o “III Reich” (terceiro império), dando início à Segunda Guerra, em 1939.

Esses desafios motivaram a criação do SindHosp, com o propósito de solucionar ou minimizar os problemas enfrentados pelas instituições hospitalares, na época. Hoje, o SindHosp representa 51 mil estabelecimentos privados de saúde no Estado de São Paulo, que geram cerca de 1,8 milhão de postos de trabalho e movimentam em torno de R$ 60 bilhões anualmente.

Diante de uma história tão impactante, o SindHosp teve muito o que comemorar e por isso, além do livro, foi homenageada por uma sessão solene na Câmara Municipal de São Paulo. Sobre todas essas ações, a Cebrasse realizou uma entrevista exclusiva com o presidente da entidade Francisco Balestrin. Confira:

Balestrin autografa livro que comemora o aniversário do SindHosp
Balestrin autografa livro que comemora o aniversário do SindHosp

Cebrasse – O SindHosp completou 85 anos e recentemente aconteceu uma sessão solene na Câmara municipal de São Paulo. Gostaria que o senhor falasse da importância desse evento.

Francisco Balestrin: A cerimônia que homenageou o SindHosp pelos seus 85 anos na Câmara Municipal de São Paulo partiu de uma iniciativa do vereador Paulo Frange, que considero o vereador da saúde na Capital. Conseguimos reunir, realmente, autoridades e personalidades importantes do setor, como a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Estela Haddad; o secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Gilberto Kassab; o secretário municipal de Saúde, Luiz Zamarco; o presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Breno Monteiro; e o CEO dos hospitais da Rede D’Or, Rodrigo Gavina, além de gestores de organizações de prestígio no Estado.

Cebrasse: Durante o evento também pessoas e instituições receberam homenagens em função dos excelentes serviços prestados ao setor.

FB: Essas pessoas e instituições têm uma relação importante com o Sindicato, como César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB); Eleuses Paiva, secretário de Estado da Saúde de São Paulo; Eloisa Bonfá, diretora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e membro da Academia Nacional de Medicina (ANM); Eriete Ramos Dias Teixeira, consultora jurídica do SindHosp; Giovanni Guido Cerri, presidente do Instituto Coalizão Saúde (ICOS); Ludhmila Hajjar, professora titular da Disciplina de Emergências da FMUSP; Margareth Dalcolmo, membro titular da Academia Nacional de Medicina; e Pedro Westphalen, deputado federal. Enfim, reunir em um evento comemorativo tantas pessoas preocupadas em melhorar a saúde dos brasileiros mostra a importância do trabalho que o SindHosp vem desenvolvendo.

Cebrasse: Depois de uma longa história, quais são as principais missões/ações da entidade?

FB: Como legítimo representante dos estabelecimentos privados de saúde paulistas e como entidade da sociedade civil, o SindHosp procura manter um espaço constante e transparente de diálogo com as três esferas da administração pública e com todas as demais entidades que integram os setores desse complexo econômico e produtivo. Como a saúde é uma das principais preocupações dos brasileiros, a interlocução do SindHosp com esses agentes está voltada para a melhoria da assistência aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), da saúde suplementar e para o desenvolvimento e sustentabilidade dos prestadores de serviços e de toda a cadeia.

Cebrasse: O SindHosp também trabalha na defesa do setor frente a órgãos governamentais. Fale um pouco sobre esse trabalho?

FB: O SindHosp, por representar esse setor tão importante para a sociedade, tem a responsabilidade de atuar em prol de um ambiente de negócios saudável para os estabelecimentos de saúde e todo o complexo, afinal, fazemos parte da mesma cadeia. Por isso, além das cerca de 50 negociações coletivas realizadas todos os anos com os vários sindicatos laborais, atuamos na defesa dos estabelecimentos de saúde junto aos governos federal, estadual e municipais; estamos atentos a todas as determinações das agências reguladoras que podem impactar no funcionamento das empresas de saúde, promovemos cursos para formação e atualização profissional, realizamos inúmeros eventos, congressos e workshops que proporcionam a troca de experiências, realizamos pesquisas junto à categoria, disponibilizamos dados para a tomada de decisões, além de inúmeros outros benefícios. Na esfera política, acompanhamos os principais projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa e, este ano, estamos trabalhando para levar propostas que possam melhorar a saúde dos munícipes, já que teremos eleições municipais.

Cebrasse: Para coroar todo esse trabalho, o Sindhosp lançou um livro em homenagem aos 85 anos de atuação. Esse livro, inclusive foi entregue ao vice-presidente Geraldo Alckmim, que também é médico. Qual a importância desse livro?

FB: O livro “Vírus Mortal: Os Hospitais Privados Paulistas, o SindHosp e a Pandemia da Covid-19” mostra a trajetória dos estabelecimentos que estiveram à frente da assistência aos infectados pelo coronavírus e, em paralelo, as iniciativas do SindHosp durante esta que foi a pior crise sanitária em 120 anos. Entre 2020 e 2022, o Sindicato realizou 30 pesquisas sobre a situação da Covid-19 nos hospitais privados paulistas. São estes levantamentos que sustentam a obra, pois permitem acompanhar, por exemplo, as curvas ascendentes e descendentes das taxas de ocupação dos leitos clínicos e de UTI, do tempo médio de internação, a faixa etária dos internados, os problemas paralelos vivenciados pelas instituições hospitalares, entre outros indicadores. O livro ainda traz um raio X da crise, como sua evolução e involução, a situação da assistência hospitalar no início do surto, o papel dos hospitais de campanha, o represamento assistencial, o desenvolvimento das vacinas, os impactos sociais e econômicos, detalha a Proposta Saúde São Paulo e mostra a importância dos movimentos solidários que fizeram a diferença em prol da população mais vulnerável.

Cebrasse: O livro traz também depoimentos de autoridades do setor, especialmente sobre esse momento crítico da saúde do país.

FB: A obra traz depoimentos de algumas personalidades, como do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; do ex-ministro da Saúde, Arthur Chioro; do presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes; da pesquisadora e membro da Academia Nacional de Medicina, Margareth Dalcolmo; da diretora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Eloisa Bonfá; e do CEO da Rede D’Or, Paulo Moll. É mais uma contribuição cidadã do SindHosp para que os problemas vivenciados com a pandemia da Covid-19 não sejam esquecidos e para que possamos planejar ações capazes de garantir o tão almejado desenvolvimento socioeconômico com justiça social.

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