Durante a reunião de diretoria da Cebrasse, realizada neste mês, o professor e consultor José Renato de Miranda conduziu uma palestra provocativa e atual intitulada “Que mundo é este? Atitude já! Para gestão da correria e freio na ansiedade”, abordando os impactos da aceleração digital sobre a saúde mental, os vínculos interpessoais e os modelos de gestão nas empresas. A apresentação foi marcada por um convite à reumanização dos ambientes corporativos e à revisão urgente dos padrões de liderança diante das transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.
Com linguagem acessível e embasamento em pesquisas científicas e experiências clínicas, José Renato destacou que a “idade digital” tem gerado um ciclo de ansiedade, desumanização e fadiga mental em múltiplas esferas da vida — pessoal, familiar, profissional e social. Para ele, a hiperconexão, o excesso de estímulos e a velocidade imposta pela tecnologia têm minado a capacidade de reflexão, diálogo e empatia nos relacionamentos humanos, inclusive no trabalho.
Ao abordar os desafios da gestão empresarial, o palestrante alertou sobre a substituição da inteligência emocional pela automação comportamental, apontando que problemas como ansiedade, síndrome de burnout e fobias sociais estão entre os principais fatores de afastamento e desligamento profissional. Citando estudos neurocientíficos, ele reforçou que o cérebro humano tem sido moldado por estímulos de recompensa imediata, o que dificulta a construção de vínculos profundos e relações de confiança no ambiente laboral.
O conteúdo também abordou questões estratégicas para líderes e gestores: a importância da escuta ativa, da criação de modelos de gestão baseados em valores humanos e da valorização das equipes como pilares do sucesso organizacional. “Se você não pode ter o mundo inteiro, faça do seu mundo o melhor dos mundos”, disse, ao encerrar sua fala com uma chamada à ação individual e coletiva.
José Renato propôs um novo olhar sobre o papel do gestor: alguém capaz de alinhar propósito, atitude e resultados, sem abrir mão da essência humana. Em sua visão, empresas que priorizam vínculos reais e ambientes emocionalmente seguros não apenas reduzem passivos trabalhistas, mas também fortalecem sua marca empregadora e ampliam sua capacidade de inovação.
A palestra se somou a outras discussões estratégicas da reunião, como as mudanças na NR-1 e a criação da ABREPS, marcando o compromisso da Cebrasse com um futuro corporativo mais sustentável, empático e centrado nas pessoas.




