Último encontro da formação promovida pela FENEP e pelo Instituto Raises discutiu os desafios da dupla excepcionalidade e a importância de reconhecer, simultaneamente, os potenciais e as necessidades dos estudantes
A Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP) e o Instituto Raises encerraram, ontem (22), o Curso Formação em Altas Habilidades/Superdotação e Dupla Excepcionalidade. Realizada de forma on-line e ao vivo ao longo de quatro encontros, a formação reuniu educadores, gestores escolares e profissionais da educação para aprofundar conhecimentos sobre identificação, acolhimento e desenvolvimento de estudantes com altas habilidades/superdotação.
A última aula foi conduzida pela psicóloga Anna Carolina Pinheiro, especialista em neurodivergências e neuropsicologia, que abordou o conceito de dupla excepcionalidade, condição em que a superdotação está associada a transtornos do neurodesenvolvimento ou outras condições que podem impactar o processo de aprendizagem e desenvolvimento.
Durante a apresentação, a especialista destacou que estudantes com altas habilidades podem apresentar, simultaneamente, características relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtornos de ansiedade ou outras condições que exigem atenção específica da escola. Segundo ela, essa combinação pode dificultar tanto a identificação da superdotação quanto o reconhecimento das necessidades educacionais do estudante.
“A sociedade costuma enxergar primeiro as dificuldades. Muitas vezes, o potencial acaba sendo mascarado pelos desafios que o estudante apresenta e deixa de ser desenvolvido”, afirmou.
Potencial e necessidades caminham juntos
Um dos principais pontos abordados ao longo da aula foi a necessidade de compreender que o estudante não pode ser reduzido apenas ao seu diagnóstico ou às dificuldades observadas em sala de aula.
De acordo com Anna Carolina, a superdotação representa um potencial elevado de aprendizagem e desempenho, enquanto os transtornos associados podem gerar prejuízos em áreas específicas. Por isso, o trabalho pedagógico deve considerar ambas as dimensões, oferecendo oportunidades de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, estratégias de apoio adequadas às necessidades individuais de cada aluno.
A especialista ressaltou ainda a importância de adaptações pedagógicas, do Plano Educacional Individualizado (PEI) e da observação atenta dos interesses, habilidades e dificuldades de cada estudante, especialmente nos casos de dupla excepcionalidade.
Quando os desafios vão além da neurodivergência
Outro tema discutido foi o conceito de tripla excepcionalidade, que ocorre quando, além da superdotação e de um transtorno ou condição associada, o estudante enfrenta situações de vulnerabilidade social, violência, insegurança alimentar ou outras circunstâncias que impactam diretamente no seu desenvolvimento.
Segundo a palestrante, essas condições podem dificultar ainda mais a identificação das altas habilidades e impedir que o potencial da criança se manifeste plenamente. “Temos muitas crianças com grande potencial que permanecem invisíveis porque vivem situações de sofrimento e vulnerabilidade. Antes de reconhecer esse potencial, é preciso garantir condições para que ele possa emergir”, destacou.
Formação continuada para uma educação mais inclusiva
No encerramento do curso, os participantes reforçaram a importância da formação continuada dos profissionais da educação para ampliar a compreensão sobre as altas habilidades/superdotação e suas diferentes manifestações.
Para Eduardo Gomes, coordenador do encontro e do Colégio de Assessores Pedagógicos do Ensino Privado (CAPEP) da FENEP, iniciativas como essa contribuem para que escolas e educadores desenvolvam estratégias mais adequadas de identificação e atendimento dos estudantes, reconhecendo tanto suas potencialidades quanto suas necessidades específicas.
Ao longo das quatro aulas, o curso promoveu discussões sobre conceitos fundamentais das altas habilidades/superdotação, identificação de estudantes, enriquecimento curricular, práticas pedagógicas e os desafios relacionados à dupla excepcionalidade, reforçando o compromisso da FENEP com a qualificação dos profissionais da educação e com a construção de ambientes escolares cada vez mais inclusivos e preparados para a diversidade dos talentos humanos.




