Em mais uma matéria da série sobre o 1º Fórum de Sustentabilidade do Setor de Serviços promovido pela Cebrasse, destacamos a palestra do médico e ambientalista Gilberto Natalini. Ele lançou um apelo direto e contundente: o Brasil vive uma emergência climática e só uma ação coletiva — com protagonismo do poder público, do setor privado e da sociedade — pode frear o avanço da destruição ambiental. Segundo ele, o progresso humano depende da produção de energia, mas a conta ambiental dessa produção chegou muito antes do previsto.
“A climatologia acertou sobre o que viveríamos, mas errou sobre quando. Imaginavam para o final do século. Já é agora”, alertou.
Natalini lembrou que a fumaça venenosa nas cidades e os microplásticos no organismo humano são exemplos de um cenário alarmante, onde os prejuízos ambientais avançam mais rápido que as soluções. Ainda assim, segundo ele, o “receituário está pronto”, e todos podem contribuir.
“Cada um precisa ser um médico. Eu, por exemplo, instalei energia solar na minha casa. Minha conta de luz caiu de mais de R$ 600 para R$ 60. São escolhas que fazem diferença.”
O ex-vereador e ex-secretário municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo também ressaltou que a transição para uma economia verde é uma oportunidade concreta para o Brasil.
“Se o país reflorestar suas áreas degradadas, pode gerar 3 milhões de empregos. É possível combater a crise e gerar renda ao mesmo tempo.”
Natalini ainda destacou ações recentes da Prefeitura de São Paulo que considera exemplares:
- A desapropriação de 30 áreas para novos parques, o que preservará cerca de 200 milhões de metros quadrados de mata nativa em pé.
- A Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas, considerada por ele uma iniciativa pioneira no país.
- A presença de 80% da frota nacional de ônibus elétricos (os “verdinhos”) concentrada na capital — fruto de uma lei de sua autoria.
A fala de Natalini encontrou ressonância com outros participantes do evento, como o secretário executivo de Mudanças Climáticas, Renato Nalini, que reforçou a necessidade de engajamento social:
“A prefeitura usa o dinheiro do povo. E por isso, o povo tem que participar da gestão da cidade. Não sujar as ruas é uma forma de salvar vidas. Sujeira gera enchente, deslizamento, morte.”
Nalini também apontou o preconceito contra árvores em regiões mais vulneráveis, justamente onde mais se sente o calor extremo.
“A diferença de temperatura entre uma área arborizada e uma sem árvores pode chegar a 10 graus. E mesmo assim, há quem diga que árvore estraga calçada ou serve de esconderijo.”
O vice-presidente de sustentabilidade da Cebrasse, Lívio Giosa, elogiou a postura da capital paulista:
“São Paulo virou benchmarking para outras cidades. Conseguiu colocar o tema da sustentabilidade diretamente na mesa do prefeito. Isso é exemplo de gestão comprometida com o futuro.”
A mensagem final de Natalini foi clara: não há tempo a perder.
“Para tudo que destruímos, precisamos de um mutirão cívico. A emergência é real. E todos nós — governo, empresas e cidadãos — temos um papel.”
O Fórum de Sustentabilidade da Cebrasse foi um chamado à ação e um lembrete de que a transformação climática começa com escolhas individuais e se consolida com políticas públicas firmes e participação social efetiva.




