Reforma Tributária exige planejamento antecipado das empresas de serviços, alerta advogado

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Felippe Saraiva destaca que o impacto do novo sistema dependerá da estrutura de cada negócio e recomenda simulações sobre carga tributária, créditos, preços e margens.

A implementação da Reforma Tributária exigirá das empresas do setor de serviços planejamento e análise individualizada para avaliar os efeitos do novo sistema sobre custos, preços e margens. O alerta é do advogado Felippe Saraiva, Diretor Executivo da SRM Multi e sócio responsável pela área tributária da SRM Advogados, que chama atenção especialmente para o período de transição e para as particularidades das empresas intensivas em mão de obra.

Segundo Saraiva, o volume de informações sobre a reforma tem provocado dúvidas entre os empresários. Enquanto alguns temem um aumento da carga tributária, outros apostam que o novo modelo de não cumulatividade poderá reduzir o peso dos tributos. Para o advogado, nenhuma dessas conclusões pode ser generalizada. Na avaliação de Saraiva, o impacto dependerá da estrutura de cada negócio, das despesas da empresa, daquilo que ela adquire e também do perfil de seus clientes.

Um dos pontos que merecem maior atenção é a não cumulatividade. No setor de serviços, a folha de pagamento costuma representar parcela significativa dos custos e não gera créditos de IBS. Saraiva lembra que, durante a transição, o ISS dará lugar ao IBS, com outra alíquota e regras diferentes de aproveitamento de créditos. “Em muitos serviços, a maior despesa é a folha de pagamento, que não gera crédito de IBS. Por isso, a não cumulatividade, por si só, não garante uma carga menor”, ressalta.

Diante desse cenário, Saraiva considera essencial que as empresas não esperem a mudança aparecer no caixa para avaliar seus efeitos. A partir de 2027, a CBS substituirá PIS e Cofins e, para empresas submetidas ao regime regular, haverá mudanças na sistemática de apropriação de créditos. “Simule o impacto da reforma tributária antes de tomar uma decisão que comprometa os próximos anos da empresa. Olhe para tributos, folha, créditos possíveis, preço, margem e contratos ao mesmo tempo”, recomenda.

Para o advogado, a principal recomendação às empresas de serviços neste momento é antecipar cenários e integrar a análise jurídica às decisões empresariais, com atuação conjunta entre contabilidade, financeiro e operação. “Com os dados organizados e cenários bem construídos, o empresário consegue decidir com mais segurança o que precisa ajustar e quando deve fazê-lo”, concluiu.

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