Reunião de diretoria da Cebrasse debate variante ômicron e reformas

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A Cebrasse realizou mais uma reunião de diretoria para debater os temas que mais estão preocupando o setor de serviços como a grande quantidade de casos e gripe e covid nos trabalhadores. Sobre o assunto, o diretor da Associação Paulista de Medicina (APM), o médico David Marun Cury fez um panorama. Já o diretor técnico da Cebrasse, Jorge Segeti, falou sobre o absenteísmo no setor de serviços, que foi, inclusive tema de entrevistas para a CNN. Já o presidente da Cebrasse João Diniz falou sobre os avanços da Reforma Trabalhista.

Marun fez um panorama sobre ômicron no Brasil e falou sobre a importância da vacinação para os trabalhadores do setor. “As pessoas que tiveram duas doses de imunização, têm uma proteção de cerca de 20%. Quem tomou a dose de reforço, além das duas, tem uma proteção entre 50% a 80%. E a vacinação tem surtido efeito realmente, no entanto, essa variante ômicron veio com muita modificação, então, quem sofreu duas imunizações teve um risco maior de ser contagiado na faixa de 80%. E quem tomou uma terceira dose de reforço teve uma resposta muito melhor”, explicou.

Marun aconselhou aos empresários do setor de serviços que estimule os seus empregados a serem imunizados. “E no caso de ter qualquer sintoma sugestivo do Covid-19, que ele procure um serviço médico de qualidade, que seja bem informado, siga as orientações médicas corretas. E é importante que essa imunização seja anual e, em breve, teremos avanços para que a gente possa definitivamente”, explicou.

Paulo Lofreta demonstrou preocupação quanto aos trabalhadores que não querem se vacinar. Ele, que mora nos Estados Unidos, afirmou que esse problema também é comum no país norte-americano. Marun explicou que o movimento mundial anti-imunização surgiu em 1998 quando um médico Andrew Wakefield publicou um artigo relacionando o autismo.

“A mãe de uma criança com queixas gastrointestinais alegou alteração de comportamento de seu filho após tomar a vacina de sarampo ao cirurgião. Este, por sua vez, publicou uma série de casos relacionando colite (inflamação do intestino grosso), autismo e a vacina para o sarampo. Esse artigo ainda é citado nos dias atuais, equivocadamente”, explicou Marun, lembrando que por causa desse estudo, o médico foi cassado e proibido de exercer a profissão.

Já o diretor técnico da Cebrasse, Jorge Segeti apresentou o levantamento feito pela Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse) a pedido da CNN que revela o impacto econômico no setor com as perdas decorrentes do afastamento de profissionais contaminados pela Covid-19.

A entidade estima que até o fim deste mês aproximadamente 511 mil trabalhadores tenham sido afastados em decorrência da doença. Com isso, o setor calcula uma perda mensal de R$ 35,53 milhões com a reposição de pelo menos 50% da força de trabalho. Os dados também foram publicados pela Folha de SP.

A presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pacios, trouxe um panorama das escolas do país. Segundo ela, o maior problema está no ensino superior, que atualmente permanece online.

“Somente no Rio de Janeiro, 60% de funcionários de universidades estão afastados”, disse, demonstrando sua preocupação com o impacto da pandemia na educação brasileira. “Voltamos 10 anos no ensino de português e 14 anos no ensino de matemática”, observou.

Reformas Trabalhista e Tributária

O presidente da Cebrasse João Diniz trouxe para a reunião a preocupação com a fala do candidato a presidente Lula sobre a revogação da reforma trabalhista. “Essa visão dele é um retrocesso. Se não tivesse havido a reforma, não teríamos home office regulamentado. Imagine como ficariam as empresas e os empregos na pandemia?”, questionou. O presidente do Seac/SP Rui Monteiro falou que a preocupação do grupo político de esquerda não é com relação aos empregos, mas com a volta da contribuição sindical que sustentava muitos sindicatos. “Agora permaneceram apenas os sindicatos que realmente fazem um trabalho efetivo”, disse.

Diniz fez ainda um panorama sobre os projetos de Reforma Tributária que tramitam hoje no Congresso. Segundo ele, a PEC 110 tem mais chances de avançar. Pela proposta, seria criado o IBS unificando e substituindo cerca de 9 tributos: ICMS, ISS, IPI, IOF, PIS, Pasep, Cofins, CIDE-Combustíveis e Salário-Educação. “Essa proposta é boa para a indústria, mas prejudica bastante o setor de serviços que tem uma cadeia curta e não temo como compensar”, avaliou, destacando ainda que a Cebrasse apoia o Simplifica Já, mas esse não tem apoio político.

Diniz acrescentou que a desoneração da folha de pagamento é a principal bandeira do setor, não somente para os 17 que foram desonerados. Ricardo Garcia demonstrou insatisfação pela desoneração somente de alguns setores. “Fomos contrários a entrar na desoneração porque ela duraria poucos anos e depois que a desoneração finalizasse, seria necessário aumentar os valores dos contratos”, acrescentou.

Ricardo Garcia destacou ainda que desonerar apenas alguns setores causa um desequilíbrio no mercado. “Ao participar de licitação concorrendo setores desonerados e não desonerados, a concorrência será desleal”, disse. O presidente do Sindeprestem, Vander Morales, concordou e disse que esse é um problema enfrentado pelo setor de trabalho temporário. Ele sugeriu encaminhar internamente uma ação judicial para proteger as empresas não desoneradas.

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