Setor de segurança privada do Ceará enfrenta sérios problemas em virtude da pandemia

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Urubatan Estevam Romero, Presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Ceará (Sindesp/CE)
Urubatan Estevam Romero, Presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Ceará (Sindesp/CE)

Retração e graves desafios. Esse é o quadro atual do segmento de segurança privada no Estado do Ceará. Roteiro turístico mundial, o Estado vive uma queda brutal na arrecadação e o setor privado está em pleno arrefecimento. As possibilidades de sobrevivência, no Ceará e no restante do Brasil, perpassam pela união da sociedade em torno de medidas que garantam os empregos, a sobrevivência das empresas e dêem força ao combate das crises de saúde e econômica. Para entender melhor o que o setor de segurança privada atravessa no estado nordestino, entrevistamos o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Ceará (Sindesp/CE), Urubatan Estevam Romero. Ele compartilha com o leitor as preocupações e medidas que estão sendo tomadas pelas lideranças do segmento.

Cebrasse News: Profissionais do segmento de segurança privada não podem parar no período de pandemia. Quais os cuidados que vocês estão tendo com os profissionais da área?
R- Bem, com os profissionais, os cuidados que nós tivemos foram os cuidados básicos, a adoção do uso de máscaras, a higienização constante com o álcool em gel e em alguns locais, não todos, os trabalhadores passaram a usar máscaras com viseiras em acrílico. Basicamente, foram essas as precauções adotadas. Também foram afastados todos empregados acima de 60 anos no estado. Alguns deles já são aposentados e nós já teríamos mesmo que finalizar o vínculo. E os que estão prestes a se aposentar, estes estão afastados pela própria condição. Outro desafio sobre treinamentos contra a pandemia é que nossas escolas de formação estão, obviamente, fechadas, então as reciclagens foram suspensas.

CN: A pandemia e o lockdown afetaram a atuação de vocês? A entidade já conseguiu mensurar em números alguns desses impactos?

R- O mercado de patrimonial teve uma retração muito grande. Exemplo que posso dar de empresas aqui do Ceará: o aeroporto teve uma queda de 60% em suas atividades; os shoppings relataram queda de 80% no quantitativo dos seus negócios. E o comércio em geral, que contratava segurança, também apresentou forte retração. No caso dos contratos de vigilância com o governo estadual, não houve diminuição na área porque eles têm que manter um posto em cada repartição ou órgão, para a segurança do patrimônio público. E essa medida foi e é importante porque foi registrado um aumento de 50% nos casos de arrombamentos na capital. Este é um dado demonstrado pelos relatos das empresas que atuam com vigilância eletrônica. No segmento de limpeza, aí sim, houve também retração no contrato com o governo, pois o Estado só não devolveu o efetivo que atua na limpeza dos hospitais, nos demais órgãos, diminuiu consideravelmente.

CN: Qual a importância do setor de segurança na garantia dos protocolos de prevenção do coronavírus?
R- Muito grande. Porque, por exemplo, em uma agência bancária o segurança é o filtro. Ele organiza o fluxo e coordenam as filas, no caso dos hospitais, a mesma coisa e mais: ele mantém a ordem no caso do desespero dos familiares. Nos espaços nos quais é permitida e circulação de pessoas, o segurança está atento para que o uso da máscara seja respeitado.

CN: Qual a situação, hoje, das empresas de segurança privada no Ceará?
R- Aqui está um caos, porque o governo não diminuiu o quantitativo (de terceirizados), mas ele está renegociando os contratos porque a tendência é que ele não repasse o reajuste dado em janeiro de 2020 (por meio da convenção coletiva). A princípio eles queriam que o sindicato aceitasse voltar ao salário de 2019, mas o sindicato laboral não aceitou. Quanto às empresas, estamos esperando o governo nos chamar para a renegociação. Está complicado sobreviver porque o capital de giro está acabando. O governo federal liberou verbas de financiamento para as microempresas, mas não liberou para as de porte médio, aquelas que têm faturamento anual acima de R$ 4,8 milhões. Para estas não houve liberação. Por isso que é preocupante. Com relação ao setor privado – indústrias, empresas, comércios, aeroporto, etc. – houve uma devolução em massa de colaboradores terceirizados por conta da queda nos faturamentos. Infelizmente, este é o cenário.

CN: O setor fez algum acordo com trabalhadores baseado nas medidas provisórias do governo? Se sim, como foi a negociação entre os sindicatos laborais e os sindicatos dos empresários do setor?

R- Sim, fizemos. A reunião foi realizada no Ministério Público e todos demonstraram boa vontade, mas a questão que ficou clara é que o sindicato não aceita diminuir o salário da categoria.

CN: E como o senhor avalia a condução do governo, nos seus devidos níveis, sobre o enfrentamento da pandemia de Covid-19?

R- O apoio do governo federal está sendo muito bom. E os governos locais estão tentando resolver os problemas da melhor forma possível, mas há questão de caixas.

Por Valnísia Mangueira

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