Presidente SindHosp alerta sobre a importância da vacinação contra o covid-19

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Francisco Balestrin, presidente da SindHosp
Francisco Balestrin, presidente da SindHosp

Conhecidas desde o século 18, substâncias biológicas estimulam a produção de anticorpos. De acordo com Balestrini, acinas são fundamentais no combate a doenças

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou no último dia (31) a primeira autorização global de uso emergencial de uma vacina contra a covid-19. O imunizante escolhido foi desenvolvido pelas farmacêuticas P fizer, dos Estados Unidos, e Biontech, da Alemanha.

A vacina já recebeu aprovação nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Europeia. No Brasil, as empresas estão em negociação com o governo federal e em diálogo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A autorização emergencial da OMS não substitui a análise de cada país, mas, segundo a entidade, abre a porta para que as agências reguladoras de cada nação possam realizar procedimentos de exame do imunizante.

A permissão também permite que organismos internacionais, como a própria OMS e outros ligados ao sistema ONU, também possam adquirir lotes e distribuir a países que precisam.

Para falar sobre vacinas e o que elas significam no combate a covid-19, continuamos a nossa série conversando com o o presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp), o médico Francisco Balestrin Confira:

Cebrasse News – O que é um coronavírus?

Francisco Balestrin – Este é um vírus (covid-19) com alto grau de contaminação, que provoca uma gripe horrorosa cuja pior característica é a ação inflamatória extrema, que pode levar a lesões graves nos pulmões.

Cebrasse News – Como funcionam as principais vacinas que estão sendo testadas contra a covid-19?

Francisco Balestrin – É importante dizer, sobre as vacinas, que elas já são conhecidas desde o século XVIII. Então, já se sabia que o corpo humano conseguia, através de agentes imunes, combater a doença. Exemplo disso foi a vacina da varíola. Normalmente as vacinas ajudam o corpo a combater a enfermidade duas formas: através do agente infeccioso (porque é onde elas atuam) ou estimulando as células zimogênicas. Normalmente demoram muito tempo para se criar uma vacina, uma década ou mais para ser produzida. A mais rápida foi a do H1N1, cuja pesquisa e etapas duraram três anos. Sob o ponto de vista do desenvolvimento, a vacina é uma resposta da ciência mundial muito rápida. E graças a ciência, as vacinas são seguras e causam poucas reações adversas, geralmente, leves e de curta duração. Trata-se da principal forma de prevenção de inúmeras doenças. O que as vacinas fazem é, que conforme as pessoas são vacinadas e ficando protegidas, pois elas aceleraram o processo de quanto mais pessoas tiverem contato com o vírus, menor a chance de ele atacar outras, pois ele precisará de um coeficiente de disseminação muito alto. Quanto mais pessoas ficam doentes de um lado e quanto mais são vacinadas, mais rápida diminuição da taxa de transmissibilidade.

Cebrasse News – Quais as diferenças entre as vacinas em aprovação pela Anvisa?

Francisco Balestrin – Existe três tipos de vacinas e, teoricamente, nenhum delas apresentou os resultados da última fase (o protocolo de procedimentos define três: pesquisa, testes em animais e seres humanos e avaliação dos resultados pelas agências reguladoras. Normalmente as uma vacina que tem 90% de eficácia de um vírus respiratório é muito bom. A vacinado H1N1, por exemplo, tinha eficácia em 60 a 70%. No caso do Brasil, para vacinar toda a população serão necessárias pelo menos 400 milhões de doses (duas doses) e isto exigirá um plano de ação e uma infraestrutura enormes.

Cebrasse News – Todas as pessoas devem ou podem ser vacinadas?

Francisco Balestrin – Teoricamente, todas as pessoas devem ser vacinadas, porque como essa vacina dá proteção e o que se quer, na realidade, é que todos sejam protegidos (pelo menos entre 70 e 80% da população). Quando se atinge esses níveis, o vírus perde a capacidade de circular. É desejável que até as pessoas que já tiveram covid-19 tomem, mas, é claro, no momento algumas pessoas não poderão.

Cebrasse News – Estamos atrasados na corrida da vacinação?

Francisco Balestrin – Não acho.

Cebrasse News – Uma vez que uma vacina receba a aprovação para uso emergencial, ela ainda continuará sendo testada?

Francisco Balestrin – Continua sendo testada. O ideal é que já tivessem autorizações permanentes, mas sendo emergencial, assim como acontece na aprovação de qualquer medicamento, elas continuarão a ser testadas.

Cebrasse News – A população deve continuar usando máscara e utilizando protocolo contra a covid-19 mesmo depois de vacinado?

Francisco Balestrin – Manter o protocolo é uma demonstração de preocupação com o coletivo, com a nossa segurança e a do próximo.

Cebrasse News – Como o senhor imagina o cenário de 2021?

Francisco Balestrin – Acho que ainda não teremos voltado a vida normal, mas acho que iniciaremos uma vida híbrida mais adequada.

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