Infraestrutura: uma usina de empregos

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José Pastore é professor da Universidade de São Paulo. É presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP. Integra a Academia Paulista de Letras
José Pastore é professor da Universidade de São Paulo. É presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP. Integra a Academia Paulista de Letras

Por José Pastore *

Assisti recentemente a um instrutivo seminário sobre infraestrutura realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Sempre me interessei por esse tema devido ao seu colossal potencial na geração de emprego e renda para profissionais de vários níveis de qualificação.

Um estudo recente, baseado em observações em 41 países durante 19 anos, mostrou que US$ 1 milhão de investimento público em estradas, energia, água, saneamento etc. cria de 10 a 17 postos de trabalho nos países emergentes. (Mariano Moszoro, The direct employment impact of public investment, Washington: IMF, 2021). É, sem dúvida, um multiplicador fenomenal.

O Brasil tem muito o que fazer no campo do saneamento básico, gás natural, comunicação (5G), rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Mas os investimentos necessários são de grande monta. Só para saneamento, por exemplo, serão necessários R$ 80 bilhões anuais a partir de 2023 (Claudio R. Frischtak, André Clark e Ricardo Ramos, Avanços e desafios na modernização da infraestrutura no Brasil, Rio de Janeiro: Cebri, 2022). Para a infraestrutura em geral, os autores indicam que o Brasil precisa investir anualmente 4% do PIB (cerca de R$ 350 bilhões) nas próximas duas décadas.

Em 2020, para todo o setor de infraestrutura, o Brasil investiu somente R$ 124 bilhões, para os quais o investimento público foi de irrisórios R$ 26 bilhões. Não se trata de problema recente. Os investimentos públicos foram caindo ao longo dos últimos cinco governos.

Os leilões realizados recentemente para obras de infraestrutura têm indicado um grande interesse do capital privado, nacional e internacional. Esse é um bom sinal. E, o interesse poderia ser ainda maior se contasse com uma boa contrapartida de investimentos públicos, um eficaz sistema de financiamento, mais segurança jurídica e um aprimoramento das agências reguladoras nesse setor.

O trabalho apresentado é bastante realista ao mostrar ser possível aumentar a participação dos investimentos públicos respeitando as restrições fiscais. Uma vez realizados, esses investimentos têm um enorme impacto no desenvolvimento sustentável e inclusivo, na elevação da competitividade das empresas, na melhoria da qualidade de vida da população, na geração de impostos e, sobretudo, na criação de milhões de empregos para os brasileiros.

Além dos investimentos nas áreas convencionais da infraestrutura, nos dias atuais, há uma necessidade inadiável de descarbonização das nações, o que exigirá a aplicação de recursos na preservação do meio ambiente que geram uma enorme quantidade de empregos.

Não há dúvida. Se o Brasil virar um canteiro de obras na próxima década, surgirá entre nós uma verdadeira usina de empregos, pois nesse campo, temos quase tudo por fazer. Oxalá o novo governo venha priorizar e aumentar significativamente os investimentos em infraestrutura.

(*) José Pastore é professor da Universidade de São Paulo. É presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP. Integra a Academia Paulista de Letras

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