Cebrasse é destaque na Folha de S.Paulo ao alertar para os riscos do empréstimo consignado

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A Folha de S.Paulo publicou nesta semana uma ampla reportagem sobre os efeitos colaterais do empréstimo consignado CLT — e destacou a posição crítica da Cebrasse (Central Brasileira do Setor de Serviços) diante dos impactos negativos dessa modalidade de crédito sobre os trabalhadores do setor privado e a produtividade das empresas.

Folha destacou que a Cebrasse representa mais de 80 setores da economia de serviços e que foi categórica ao apontar os riscos do programa, lançado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Segundo o presidente João Diniz, “quando o trabalhador compromete uma parcela significativa da sua renda com dívidas de longo prazo, ele perde a capacidade de honrar despesas básicas, gerando estresse financeiro e até mesmo situações extremas, como a decisão de pedir demissão apenas para se livrar dos descontos automáticos”, disse.

A preocupação não é infundada. Estudo elaborado pela Cebrasse com base em dados do Banco Central mostra que, entre 2022 e 2025, o crédito consignado destinado aos trabalhadores do setor privado representou, em média, apenas 0,7% do total concedido às pessoas físicas, enquanto os servidores públicos concentraram 3,1% e aposentados e pensionistas do INSS, 2,9%. Ou seja, um grupo que representa 44% dos potenciais tomadores (setor privado) recebeu apenas 10% dos recursos, indicando que as instituições financeiras priorizam clientes com menor risco de inadimplência.

Além disso, os dados revelam um cenário preocupante: a inadimplência no consignado do setor privado saltou de menos de 5% em 2022 para 9,13% em março de 2025, mais do que o dobro do índice registrado entre servidores públicos e aposentados, que se mantiveram abaixo de 2,5%.

A alta taxa de inadimplência, segundo o levantamento, pode estar associada à prática crescente de pedidos de demissão como forma de interromper os descontos automáticos em folha. Apesar de não cancelarem a dívida, esses desligamentos transferem os valores para as verbas rescisórias e o FGTS — o que, muitas vezes, não cobre o total financiado, gerando prejuízos tanto para os bancos quanto para os trabalhadores.

Ainda que o MTE afirme que o programa ajuda a substituir dívidas mais caras — como o crédito rotativo do cartão — por juros menores, os dados da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) mostram contratos de consignado CLT com taxas que ultrapassam 974% ao ano, mesmo com garantias. Isso compromete o orçamento familiar e agrava a rotatividade no setor, que já enfrenta 60% de turnover, principalmente em mercados e empresas com mão de obra intensiva.

Diante do cenário, a Cebrasse defende a revisão do programa, com maior regulação das taxas praticadas, limites proporcionais ao salário e campanhas de educação financeira para evitar o superendividamento e a evasão da formalidade.

“A ideia do crédito é boa, mas da forma como está sendo executado, pode se tornar um fator de instabilidade social e produtiva. É preciso proteger o trabalhador, sim — mas sem comprometer sua dignidade nem o equilíbrio das empresas”, conclui João Diniz.

Confira a matéria da Folha:

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/supermercados-fazem-campanha-contra-consignado-por-temor-de-apagao-de-mao-de-obra.shtml

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