Entre os setores de serviços, transporte, serviços jurídicos, contabilidade e consultoria serão os mais afetados
Na segunda matéria da série sobre os impactos Um estudo elaborado pela Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse) revela que as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos em 2025 representam um choque significativo para a economia brasileira, afetando não apenas a agropecuária e a indústria, mas também um amplo conjunto de atividades de serviços.
As tarifas foram implementadas em três frentes distintas pelo governo norte-americano, logo após a posse do presidente Donald Trump. A Seção 232 do Trade Expansion Act estabeleceu taxas de 25% para automóveis e autopeças e de 50% para aço, alumínio e cobre. Em seguida, a Ordem Executiva 14.257 criou uma tarifa básica de 10% sobre importações de diversos países, incluindo o Brasil. Por fim, em julho, a Ordem Executiva 14.323 acrescentou um adicional de 40% para produtos brasileiros, elevando para 50% a alíquota de itens como café, carne, frutas, têxteis, calçados e máquinas, entre outros .
Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 78% das exportações brasileiras para os EUA estão sujeitas às novas tarifas. A Cebrasse alerta que, além do efeito direto sobre os setores produtivos, haverá repercussões indiretas sobre os serviços utilizados como insumos na cadeia produtiva .
SETORES MAIS VULNERÁVEIS
O estudo mostra que o setor de transporte terrestre de cargas será o mais afetado, representando 27,1% do total de serviços consumidos pela agropecuária e pela indústria de transformação. Também aparecem como fortemente impactados serviços jurídicos, contabilidade e consultoria (17,5%), além de armazenagem e serviços auxiliares ao transporte (10,4%). Somados, esses três segmentos concentram mais de 55% do valor total de serviços privados não financeiros utilizados pelos setores exportadores atingidos .
Na outra ponta, atividades como edição de livros, jornais e revistas (0,1%), manutenção de equipamentos eletrônicos (0,1%), educação privada (0,2%) e serviços de alimentação (0,4%) devem sentir impactos marginais. Juntas, essas áreas representam apenas 3,8% do total de serviços demandados como insumos .
De acordo com o presidente da Cebrasse, João Diniz, a intensidade dos impactos dependerá da capacidade das empresas brasileiras de diversificar mercados, ajustar cadeias de suprimento e reorientar sua pauta exportadora. O estudo destaca ainda a importância de políticas públicas de mitigação que possam preservar cadeias produtivas e manter empregos no setor de serviços.
“O Brasil precisa estar atento às consequências dessas medidas e agir estrategicamente para proteger sua competitividade”, conclui João Diniz.




