Abrava na COP30: resfriamento como direito humano e instrumento de justiça climática

0
53

A ABRAVA marcou presença na COP30, acompanhando de perto os debates sobre AVACR, com destaque o lançamento do Global Cooling Watch Report, o Mutirão Global contra o Calor Extremo, a Carta de Belém para adaptação do setor de saúde à mudança do clima e a reunião ministerial do Global Cooling Pledge.

Em meio a temas centrais como financiamento climático e adaptação, o resfriamento ganhou protagonismo ao ser reconhecido como um direito humano básico, ao lado de água, energia e saneamento — reconhecimento feito por lideranças como Inger Andersen (Diretora Executiva do PNUMA/ONU), Marina Silva (Ministra do Meio Ambiente) e Ana Toni (CEO da COP30).

A climatização de escolas foi amplamente defendida como prioridade nacional na adaptação ao calor extremo, reforçando o papel estratégico do setor AVACR na promoção da justiça climática e da resiliência urbana. A relação entre clima e saúde também ganhou destaque com a publicação da Carta de Belém, documento internacional que propõe diretrizes para a adaptação do setor de saúde às mudanças climáticas, incluindo a qualidade do ar como fator crítico para a saúde pública.

A iniciativa Beat the Heat — ou Mutirão Global contra o Calor Extremo — traduz os objetivos centrais da COP30: ação concreta, comunicação acessível, inclusão e acesso universal ao resfriamento.

Outros importantes temas para o setor também tiveram espaço na agenda da COP30, como a Eficiência Energética, com um dia completo na programação do Pavilhão da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e um painel no Pavilhão das ODS da ONU, e nos debates sobre Planos de Ação para a Redução dos poluentes climáticos de vida curta (PCVCs), promovidos no Pavilhão da Climate and Clean Air Coalition.

A agenda acompanhada pelo Diretor de Meio Ambiente da ABRAVA, Dr. Thiago Pietrobon, seguirá sendo trabalhada pela associação, reafirmando o compromisso com soluções sustentáveis, pautada por uma atuação estratégica em Segurança Alimentar, Qualidade do Ar Interior e Descarbonização.

Ponto de vista de quem esteve lá.

Para Thiago Pietrobon, Belém se tornou palco da diplomacia climática mundial durante a COP30, marcada por tensões políticas, problemas de infraestrutura, mas também avanços práticos. Dez anos após o Acordo de Paris, a conferência enfrentou o desafio de manter viva a agenda climática sem o apoio dos Estados Unidos, com a União Europeia firme nas metas, mas reticente em financiar, e a China priorizando seus próprios interesses. Apesar das dificuldades, o encontro garantiu triplicar os recursos para adaptação até 2035, criar indicadores para medir a adaptação dos países às mudanças climáticas e consolidar a transição justa como eixo central das negociações.

A conferência também foi marcada por embates: não houve consenso sobre o mapa do caminho para o afastamento dos combustíveis fósseis e o combate ao desmatamento, com países divididos, mas sem deixar de garantir que o tema permaneça em negociação. A já reconhecida habilidade diplomática brasileira conseguiu destravar agendas, avançar mais rapidamente em pontos pacificados e propor soluções alternativa às declarações de contrariedade, mantendo o debate.

Para o setor AVACR, a COP30 também foi histórica. O resfriamento ganhou protagonismo ao ser reconhecido como direito humano básico, ao lado de água, energia e saneamento. E os avanços no reconhecimento da relação clima e saúde, evidenciam o papel estratégico que o setor assumira na adaptação às mudanças do clima.

Os compromissos assumidos na Carta da ABRAVA para presidência da COP30, validada pelo setor no último CONBRAVA 2025, mostram como estamos alinhados com as discussões mais recentes da COP30 e com a agenda de ação, traduzindo o acordo climático mundial em ações locais no Brasil, no que compete ao setor. Conclui Pietrobon.

Fonte: https://abrava.com.br/abrava-na-cop30-resfriamento-como-direito-humano-e-instrumento-de-justica-climatica/

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here