A nova Diretoria Executiva do Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços (SINDEPRESTEM) realizou a primeira reunião da gestão 2026, marcando oficialmente o início dos trabalhos do ano e a definição das principais prioridades estratégicas da entidade.
Durante o encontro, foram estabelecidos quatro eixos centrais de atuação: o cumprimento das cotas de Pessoas com Deficiência (PCD) e de aprendizes; o avanço da informalidade no mercado de trabalho; e os impactos do retorno da sucumbência na Justiça do Trabalho, que tem provocado aumento significativo da litigiosidade trabalhista.

Segundo o presidente do SINDEPRESTEM, Vander Morales, a entidade pretende aprofundar o debate desses temas com base técnica, dados concretos e apoio de especialistas. “Nós elegemos quatro eixos para trabalhar ao longo do ano. A ideia é fundamentar essas discussões com pesquisas, contratação de especialistas e produção de estudos que nos ajudem a compreender melhor a realidade do setor e a construir propostas consistentes”, afirmou.
Um dos pontos de maior preocupação é a dificuldade das empresas em cumprir as cotas legais de contratação de pessoas com deficiência, especialmente no setor de terceirização. De acordo com Vander, muitas vagas exigem baixa qualificação, o que reduz o interesse desse público, além do receio de perder benefícios sociais. “Hoje existe uma dificuldade real de preenchimento dessas vagas. Muitas pessoas com deficiência preferem não ingressar no mercado formal para não correr o risco de perder benefícios assistenciais, especialmente quando o salário oferecido é baixo”, explicou.

Outro eixo central é o avanço acelerado da informalidade e do trabalho por aplicativos, que tem reduzido a atratividade do emprego formal, mesmo com garantias como FGTS, benefícios trabalhistas e proteção em caso de desligamento. Segundo o presidente, o novo perfil do mercado de trabalho tem levado trabalhadores a priorizarem renda imediata, mesmo sem vínculos formais.
“Em muitas atividades informais, hoje é possível obter rendimentos mensais de quatro, cinco ou até seis mil reais, enquanto o piso salarial do setor gira entre R$ 1.800 e R$ 2.200. Isso torna a informalidade muito mais atrativa para trabalhadores de menor qualificação, que muitas vezes também acumulam benefícios sociais”, destacou.
Além disso, Vander Morales ressaltou que o excesso de encargos, normas regulamentadoras, burocracia na contratação e o custo da judicialização trabalhista têm encarecido significativamente o emprego formal para as empresas, reduzindo a competitividade do modelo tradicional de contratação.
“Esse conjunto de custos faz com que o salário formal, na prática, deixe de ser atrativo para o trabalhador, porque ele percebe que como pessoa jurídica ou na informalidade consegue ganhar muito mais. Até mesmo dentro do sindicato enfrentamos dificuldade de preencher cargos mais qualificados, porque muitos profissionais preferem receber o dobro como PJ do que manter vínculo formal, considerando que benefícios como FGTS hoje rendem menos do que aplicações financeiras básicas”, afirmou.

Segundo o presidente, a soma de impostos, encargos e excesso regulatório acaba inviabilizando a expansão do emprego formal e exige uma atuação institucional firme para revisão desse ambiente de negócios. “Esse modelo está se tornando economicamente insustentável. Precisamos trabalhar essa pauta com profundidade, porque, da forma como está, o excesso de normas, impostos e encargos está inviabilizando a contratação formal”, reforçou.
Vander alertou ainda que esse cenário gera preocupação crescente entre os empresários quanto à sustentabilidade do setor e à manutenção da capacidade de geração de empregos. O sindicato já iniciou o mapeamento de especialistas e instituições para a realização de estudos técnicos, produção de indicadores e formulação de propostas que possam subsidiar o diálogo com o poder público.
O presidente da Cebrasse João Diniz, participou da reunião destacando que o Sindeprestem é parceiro da Cebrasse na defesa de condições mais equilibradas para o desenvolvimento do setor de serviços, responsável por grande parte da geração de empregos no país. “O setor precisa de entidades fortes, comprometidas com a legalidade e com a construção de um ambiente empresarial saudável. O SINDEPRESTEM é um aliado permanente na defesa da desoneração da folha, na proteção do emprego formal e na busca por um Brasil mais produtivo e competitivo”, destacou.



