O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul deve gerar impactos relevantes não apenas para o agronegócio e a indústria, mas também para o setor de turismo, especialmente no segmento de turismo de negócios. Para falar sobre assunto, a Times Brasil convidou a Cebrasse para falar sobre o tema. Representando a entidade, o executivo da Dinastia Turismo Gustavo Góes, concedeu entrevista ao canal Times Brasil CNBC. Confira o vídeo da entrevista.
Segundo Góes, a ampliação das relações comerciais entre os dois blocos tende a provocar um aumento significativo nos fluxos de viagens corporativas, missões empresariais, feiras internacionais, eventos institucionais e investimentos cruzados — atividades que movimentam uma cadeia intensiva em mão de obra e serviços.
“O turismo surge como uma grande oportunidade a partir desse acordo, especialmente porque o turismo de negócios já vinha em crescimento e agora tende a ganhar ainda mais força”, afirmou.
Durante a entrevista, Góes destacou que o movimento de expansão do turismo internacional no Brasil já está em andamento. Dados da Embratur indicam que o país recebeu 3,7 milhões de turistas internacionais em 2023, número que saltou para 6,7 milhões em 2024 e chegou a quase 10 milhões em 2025, consolidando uma tendência de crescimento consistente.
Para o executivo, esse avanço cria uma base sólida para que o acordo UE-Mercosul amplifique ainda mais o fluxo de visitantes, impulsionado principalmente por convenções, eventos corporativos e novos negócios ligados ao agro e à indústria. “A expectativa é de que esse número continue crescendo. Já vemos mais eventos, mais convenções e um movimento claro de expansão dessa demanda”, explicou.
Impactos ao longo de toda a cadeia do turismo
Góes ressaltou que os efeitos do acordo não se limitam ao aumento do número de viajantes, mas se espalham por toda a cadeia econômica do turismo. Ele citou a chegada de novas redes hoteleiras, o fortalecimento da malha aérea e o aumento da movimentação em aeroportos como exemplos concretos desse processo. “É toda uma cadeia que se movimenta: companhias aéreas ampliando rotas, hotéis planejando novos investimentos e destinos se preparando para receber esse público”, disse.
Na avaliação do executivo, embora parte dos investimentos estruturais demande mais tempo para maturar, o turismo de negócios deve sentir os primeiros impactos já no curto prazo, uma vez que negociações empresariais, aproximações institucionais e agendas corporativas começam antes mesmo da entrada formal do acordo em vigor.
Capacitação da mão de obra
Outro ponto destacado por Gustavo Góes foi a necessidade de qualificação da mão de obra para acompanhar o aumento do fluxo internacional, especialmente no atendimento ao turista europeu, considerado mais exigente. “A questão do idioma é central. Precisamos avançar na capacitação em inglês, francês, italiano e espanhol para garantir uma melhor experiência ao visitante”, afirmou.
Segundo ele, esse é um tema acompanhado de perto pela Cebrasse, entidade que atua na defesa e no fortalecimento do setor de serviços, justamente por seu papel estratégico na geração de empregos.
Embora o turismo de negócios deva liderar os primeiros ganhos, Góes avalia que o turismo de lazer também será impulsionado, à medida que executivos e investidores aproveitam suas viagens corporativas para conhecer outros destinos brasileiros.
Ele citou como exemplo a região de São Roque (SP), próxima à capital paulista, que já possui vocação turística, especialmente no enoturismo, e pode se beneficiar do aumento do fluxo internacional. A ampliação das operações no Aeroporto Catarina, que já recebe cerca de 150 voos internacionais por mês, reforça esse potencial. “O turista de negócios costuma estender a viagem para lazer. Isso abre oportunidades para destinos próximos aos grandes centros”, destacou.
Na avaliação do representante da Cebrasse, o acordo cria um ambiente favorável para expansão dos serviços ligados ao turismo, hotelaria, alimentação, transporte e eventos. Embora alguns investimentos levem mais tempo para se consolidar, o movimento de crescimento já está em curso. “As conversas já começaram, as aproximações já estão acontecendo. O turismo de negócios deve sentir esse impacto de forma mais imediata”, concluiu.
Sobre a CEBRASSE
A CEBRASSE (Central Brasileira do Setor de Serviços) atua na defesa institucional dos setores de serviços, comércio e turismo, que juntos respondem por cerca de 70% do PIB brasileiro e mais de 70% dos empregos formais do país, representando aproximadamente 9 milhões de trabalhadores. A entidade trabalha de forma permanente pela valorização do setor que mais gera trabalho e renda no Brasil, acompanhando pautas estratégicas no Congresso Nacional e no Executivo, com foco em emprego, competitividade e desenvolvimento econômico.



