Por Jorge Segeti
Um levantamento com 355 empresas de médio e grande porte mostrou que 72% ainda não estão preparadas para adaptar seus processos à Reforma Tributária, que começa a operar na prática em janeiro de 2026.
Do total:
✔ 33,2% não discutiram internamente os impactos;
✔ 38,6% estão em diagnóstico preliminar;
✔ Apenas 28,1% têm um plano estruturado de adaptação.
Esse cenário revela um erro de leitura grave de muitos executivos e empresários: tratar a reforma como mais uma mudança de nomenclatura ou alíquotas, quando na verdade ela transforma a forma como tributos são inseridos nas operações empresariais, especialmente no consumo.
Por que isso importa de verdade?
A reforma não muda só “onde o imposto é escrito” — ela impacta diretamente o fluxo de contas a pagar e receber, com novos campos em notas fiscais e exigências de conciliação eletrônica que podem bloquear faturamento, atrasar pagamentos a fornecedores e pressionar o caixa.
Para Compras, Custos e Orçamento, isso significa:
- Compras precisam olhar tributos no momento da negociação — não só no preço.
- Custos vão incorporar novos fatores de tributação e crédito fiscal que alteram margens.
- Orçamento deve prever contingências fiscais, automação e governança integrada.
- Essa reforma está para os departamentos de Compras, Custos e Orçamento como o eSocial esteve para o RH das médias e pequenas empresas — não é um ajuste fiscal, é uma mudança de processo e cultura corporativa.
E a diferença crítica em relação ao eSocial?
O impacto direto e imediato no fluxo de caixa.
Empresas que não se anteciparem podem enfrentar não apenas problemas de conformidade, mas restrições operacionais e financeiras reais no dia a dia.
A pergunta deixou de ser “se a reforma vai impactar minha empresa”.
Agora é: “minha empresa já agiu para transformar essa mudança em vantagem competitiva?”
*VP do SESCON-SP | Diretor Técnico da Cebrasse – Central Brasileira do Setor de Serviços




