A Reforma Tributária já está em vigor e as empresas de serviços precisam agir desde agora para evitar impactos financeiros e operacionais nos próximos anos. Esse foi o principal alerta feito por Jorge Segeti, vice-presidente institucional do SESCON-SP, diretor técnico da Cebrasse e CEO da Segeti Consultoria, durante palestra no Roadshow Nordeste da Cebrasse, realizado em Aracaju.
Ao apresentar um panorama da transição para o novo sistema tributário, Segeti destacou que o momento não é de preocupação, mas de preparação. Segundo ele, a reforma possui um cronograma definido e exige que as empresas iniciem imediatamente a revisão de seus processos para chegar preparadas à implantação definitiva do novo modelo.
Entre os principais pontos abordados, o especialista explicou que o atual sistema baseado em PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS será gradualmente substituído pelo modelo de IVA Dual, composto pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), administrado por estados e municípios. A transição ocorrerá entre 2026 e 2033.
Segeti ressaltou que 2026 será um ano de adaptação. “Embora não haja aumento da carga tributária nesse período, as empresas precisarão adequar seus sistemas de emissão de notas fiscais e revisar seus cadastros. A partir de agosto, empresas do regime regular já não poderão emitir notas fiscais sem os campos obrigatórios de IBS e CBS preenchidos”, disse.
Outro tema de destaque foi a decisão que deverá ser tomada pelas empresas optantes pelo Simples Nacional entre os dias 1º e 30 de setembro de 2026. Nesse período, será necessário escolher se a CBS e o IBS serão recolhidos dentro ou fora do Documento de Arrecadação do Simples (DAS), decisão que poderá influenciar diretamente a competitividade das empresas que prestam serviços para outras pessoas jurídicas.
Durante a palestra, o vice-presidente do SESCON-SP também chamou atenção para uma das principais mudanças da reforma: a nova sistemática de créditos tributários. Diferentemente do modelo atual, o crédito passará a depender do efetivo recolhimento do imposto pelo fornecedor, tornando ainda mais importante a escolha de parceiros fiscalmente regulares.
Outro desafio apontado foi a implantação do chamado split payment, mecanismo que separará automaticamente o valor do tributo no momento do pagamento, direcionando-o diretamente ao governo. Na avaliação de Segeti, essa alteração reduzirá o capital de giro disponível das empresas, exigindo um planejamento financeiro mais rigoroso, especialmente para setores intensivos em mão de obra, como limpeza, conservação e segurança privada.
Como orientação prática aos empresários, Segeti apresentou quatro frentes prioritárias de preparação: “revisão dos cadastros, atualização dos contratos, avaliação da regularidade dos fornecedores e reformulação da política de formação de preços. Essas medidas permitirão que as empresas atravessem a transição tributária com maior segurança e competitividade”, observou.
Ao encerrar a apresentação, o especialista reforçou que a reforma tributária deve ser encarada como um processo de gestão e planejamento. “A reforma tem cronograma, datas e tarefas claras. Quem se antecipa sai na frente. O momento é de preparar as empresas para essa transição, tomando as decisões necessárias antes da janela de setembro”, concluiu.




