“A Pandemia Do Coronavírus Fez Acelerar O Que Já Era Uma Tendência”, Diz Flavio Sandrini

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O empresário, que também é vice-presidente suplente da Cebrasse, detalhou como sua companhia lidou com desafios da pandemia

A entrevista sobre os impactos da pandemia nos setores dessa semana traz a visão de Flavio Sandrini, vice-presidente suplente da Cebrasse e diretor executivo do Grupo Verzani&Sandrini, que atua nas áreas de higienização, vigilância patrimonial e eletrônica, gestão de estacionamentos e gestão e manutenção de ativos com mais de 47 mil colaboradores em todo o Brasil.

Ele avaliou que a pandemia do coronavírus fez acelerar o que já era uma tendência para o segmento de prestação de serviços em geral. “Assim, os equipamentos e produtos de que dispomos hoje são, de fato, o que há de melhor, mais moderno e mais eficaz para os processos de limpeza, de higienização, de desinfecção, mas, também, para a segurança patrimonial e para a gestão de ativos. Por isso, em termos de segurança e de saúde, podemos assegurar que nunca houve tanto cuidado e tanto valor agregado, o que nos deixa muito confiantes de que o processo de reabertura se dará de forma controlada”, disse.

Confira a entrevista:

Cebrasse News – Focando no segmento de segurança privada, sabemos que os trabalhadores do setor são essenciais no enfrentamento da pandemia. Quais os cuidados que vocês adotaram com os seus colaboradores e o público da empresa?

Flavio Sandrini – Desde o início da pandemia, nós imediatamente adotamos protocolos de segurança para que nossos colaboradores pudessem continuar ativos sem colocar sua saúde em risco. Esses protocolos foram ensinados, repetidos e retreinados inúmeras vezes, para minimizar as chances de descuido ou de falhas que viessem a comprometer sua própria segurança e, consequentemente, a qualidade da operação. Além disso, distribuímos os equipamentos de proteção individual (EPIs) necessários e investimos nas mais modernas tecnologias que, uma vez consolidadas na operação, têm elevado consideravelmente o nosso nível de controle.

Também criamos um comitê de crise e seguimos todas as técnicas de gerenciamento de situações críticas, definindo seus líderes, seus papeis e suas responsabilidades. Este comitê produziu um plano de continuidade de negócios, com 32 elementos de gestão e também um protocolo operacional, com sete pilares de comando e controle, baseado na teoria de administração de operações críticas: C4IVR (comunicação, computação, comando, controle, vigilância e reconhecimento situacional).

Cebrasse News – A pandemia mudou a maneira como a sua empresa presta os seus serviços? Vocês adicionaram novas técnicas no atendimento aos clientes?

Flavio Sandrini – A pandemia do coronavírus fez acelerar o que já era uma tendência para o segmento de prestação de serviços em geral. Assim, os equipamentos e produtos de que dispomos hoje são, de fato, o que há de melhor, mais moderno e mais eficaz para os processos de limpeza, de higienização, de desinfecção, mas, também, para a segurança patrimonial e para a gestão de ativos. Por isso, em termos de segurança e de saúde, podemos assegurar que nunca houve tanto cuidado e tanto valor agregado, o que nos deixa muito confiantes de que o processo de reabertura se dará de forma controlada. Além disso, no caso específico da Verzani & Sandrini, é importante dizer que nossos protocolos foram atestados por infectologistas e muitos deles têm certificação hospitalar – ou seja, estamos emprestando, do segmento de saúde, processos sabidamente eficazes e que, agora, estão disponíveis para o ambiente de shopping centers, indústrias, condomínios, escolas e empreendimentos dos mais diversos segmentos.

Cebrasse News – Qual a importância do setor de segurança privada e eletrônica na garantia dos protocolos de prevenção e controle do coronavírus?

Flavio Sandrini – Atualmente os serviços de segurança devem ser pensados de maneira global, ou seja: quando falamos em segurança não devemos nos ater a pontos isolados como, tradicionalmente, nos vigilantes armados ou desarmados. A maneira mais contemporânea de pensarmos em segurança é o cuidado com pessoas e patrimônio, através de profissionais de Segurança, Tecnologia e Processos e tendo a ciência do gerenciamento de riscos corporativos como guia mestra, mais evidenciada pela ISO 31000. Na Verzani & Sandrini, as operações se estruturam a partir destes pilares e, por isso, nossa atuação é contemporânea e de classe mundial.

Dito isso, o período do coronavírus trouxe demandas pontuais. A mais evidente aparece no número de projetos integrados de segurança que nos foram solicitados. Muitas empresas no ramo de varejo, por exemplo, trabalhavam com pedidos separados, ou seja: para determinado projeto queriam somente a mão de obra; em outros, somente a consultoria em segurança; em outros, somente a tecnologia. No momento, percebemos aumento na demanda por projetos integrados onde tudo passa a ser conectado por centrais de monitoramento locais, montadas dentro das operações dos varejistas, com redundância garantida pelo monitoramento de sua empresa parceira na área de segurança.

Neste aspecto, a tecnologia tem sido demandada conjuntamente com os serviços executados por vigilantes, para que pessoas e tecnologia sejam gerenciadas através de processos consistentes. Neste cenário, a análise de vídeo de monitoramento de segurança, executada através dos mais modernos CFTVs, assume um protagonismo grande nas novas demandas, pois auxilia os profissionais/vigilantes em campo. Na prática, a análise de vídeo providenciará, por exemplo, a contagem no número de pessoas que entram num estabelecimento da rede varejista, ou para medir a temperatura corporal do público e, ao mesmo tempo, enviar alertas para a central de monitoramento local – que, por sua vez, se comunicará com a equipe de campo para que esta possa adotar os protocolos de segurança definidos pela varejista. Falando em termos de número, houve aumento de 15% na demanda por projetos integrados de segurança física.

Cebrasse News – Como o senhor descreveria a situação vivida pelo segmento de segurança privada, hoje, em São Paulo?

Flavio Sandrini – O ambiente de segurança pública não se deteriorou em termos de controle pelas agências de segurança pública. O ambiente social está em ordem. E isto é o que mais o nosso segmento deseja que aconteça. Agora, falando do nosso mercado de segurança privada especificamente, momentaneamente, houve retração, assim como em todos os mercados, já que o que importa em todas as situações é a prosperidade econômica do nosso País. Isto é o que impulsiona todos os ramos de negócio, o nosso incluído. Nossa empresa tem se saído bem na crise por estar muito bem atualizada em relação ao que mais moderno existe no mundo em relação a projetos integrados – Pessoas, Tecnologia e Processos – e por isso temos encontrado oportunidades de conquista de contratos novos que exijam mais qualificação do prestador de serviços. Mas creio que as empresas menos qualificadas, as que proviam segurança privada de forma menos comprometida ou com menor qualidade de entrega, terão muito mais dificuldade em superar esta crise.

Cebrasse News – Houve retração nos postos de trabalho em diversos setores da economia, como essa realidade configurou-se na sua avaliação, especialmente com a adoção de novas tecnologias?

Flavio Sandrini – No momento, o segmento mais afetado é o varejo/shopping centers, sem dúvida. O setor de saúde está requerendo reforços. Já o Industrial reduzirá o número de postos, mas talvez não de maneira significativa, já que é um setor que vem sofrendo com a crise econômica há muito tempo, pelo menos desde 2015, e já reduziu o quadro contratado ao seu limite. Agora, mesmo paralisando suas funções temporariamente por causa do Covid-19, os clientes tiveram de cuidar de seu entorno, de seu perímetro e de sua parte interna. Sabemos que, quanto mais desocupado um prédio estiver, maior o risco de invasão. Então, vislumbramos reduções, mas não muito agudas. Este é um ponto que se move todo o tempo e ainda não tem uma resposta exata.

Cebrasse News – O senhor gostaria de enviar algum recado de estímulo aos trabalhadores e empresários do setor?

Flavio Sandrini – Gostaria de reiterar que se todos atuarmos juntos, e mantivermos nosso comprometimento com os processos já reconhecidos por sua eficácia no combate à COVID-19, num futuro próximo poderemos olhar para trás com o orgulho, porque teremos dado nossa contribuição enquanto profissionais e marcas de segurança privada. E lembrar que – como função – assumimos zelar pela segurança de pessoas e patrimônios, o que, neste momento, significa também adotar medidas que protejam a saúde de todos.

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