E o ano de 2021 vem aí… Corra, pois “antes tarde, do que nunca!

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Jorge Segeti, diretor técnico da Cebrasse
Jorge Segeti, diretor técnico da Cebrasse

Entre a sabedoria popular e a economia brasileira a distância é menor do que possa imaginar nossa vã filosofia

Dizem que no século XIII houve uma lei que fixava o preço da pele de vários animais, como cordeiro, cabrito, raposa, coelho e muitos outros bichos. A do gato fazia parte dessa lista e era muito barata, inclusive, mais barata que a da lebre.

Mas será que foi daí que a equipe do ex-presidente José Sarney, em 1986, se inspirou para o tabelamento de preço? Deixo aqui o questionamento.

Na culinária, a carne de gato, depois de bem temperada, torna-se para os leigos igual a carne de lebre. Por isso, “levar gato por lebre”, ficou significando ser enganado, e é isso que ouço de alguns empresários em relação a não conseguir financiamentos.

Avançamos no tempo e estamos, agora, no ano de 2020, que, sem dúvida, pegou a muitos “de calça curta”. E estes irão justificar dizendo que o mundo foi surpreendido com a pandemia sanitária e que não existe ninguém que estivesse preparado para o que estamos passando.

Para esta crise, eu tenho que concordar. Mas para as ‘crises’ recorrentes, considero um “erro crasso” – já que desde 1989, quando comecei a trabalhar como office-boy (que saudades) as tivemos em, praticamente, edições anuais – não deveria haver surpresa. Como em 1990, a do Plano Collor; em 1994 a crise dos mercados emergentes; 2008 do subprime; sem esquecer das crises políticas, como a iniciada em 2014.

Para o Banco Mundial a recessão causada pelo coronavírus dever ser a 4ª pior crise nos últimos 150 anos, de um total de 14. Vendo o “copo meio cheio”, tiveram três piores do que a que estamos vivendo agora.

Todos os anos, meses e dias, o empresário tem que “queimar as pestanas” para atravessar crises, enfrentar concorrentes, adaptar-se a legislações e novas tecnologias, para conseguir manter o seu negócio funcionando.

Sem dúvida 2020, está exigindo superação e criatividade, mas também é o ano com créditos financeiros mais barato da história recente do Brasil. Mas muitas empresas “ficaram a ver navios”, sem dinheiro para passar este período.

A questão é: por que umas conseguiram e outras não?

A verdade é que muitas possuíam relatórios financeiros e contábeis “de meio-tigela”, ou “para inglês ver”, e quando foram passar na análise de crédito das instituições financeiras, não conseguiram comprovar a sua realidade econômica.

Há muitos anos que coloco em minhas palestras que o crédito não é só para a grande empresa, mas é, sim, para a empresa preparada administrativamente.

Mas muitas vezes eu escutei:

– “Para que serve um balanço?”

– “Eu não uso a contabilidade para nada.”

– “Eu não pago impostos, quando sair um REFIS, aí vejo o que vou fazer. Não preciso de certidões.”

Hoje, vejo alguns destes empresários a “chorar as pitangas”, reclamando da burocracia do governo, de seus contadores, por não ter um Balanço Patrimonial, nem mesmo ter a comprovação do seu faturamento.

Quando eu pergunto: “Você emite NF de tudo que você vende?”, “Você tem todos os documentos financeiros da sua empresa?”, recebo de volta um “sorriso amarelo”.

Aí cabe dizer que “não basta ser honesto, tem que parecer honesto”. O empresário tem que saber que é a contabilidade que demonstra a capacidade que ele tem de pagar o empréstimo que está querendo. Mas não adianta achar que “é uma pastelaria”, porque o contador não cria resultados, mas demonstra o que a empresa vem conseguindo com a sua gestão.

O empresário tem que conhecer “de cabo a rabo” tudo que acontece na sua empresa, não adianta dizer que não gosta de números e “bater na madeira” para não ter azar nas decisões que tomou.

Para não “dar com os burros n’água” é preciso estar bem assessorado, ter informações que consigam obter indicadores reais e que auxiliarão nas tomadas de decisões.

Eu espero sinceramente que tenha “caído a ficha” do empresariado brasileiro sobre a importância da gestão contábil e tributária. Que tenha, hoje, dados para avaliar as melhores opções e que, em 2021, “entrem com o pé direito”.

Ainda não tem relatórios confiáveis? Corra! Pois “antes tarde do que nunca”.

Jorge Segeti,
Diretor técnico da Cebrasse

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