Novos associados comentam a atualização da Pesquisa Anual de Serviços da Cebrasse e avaliam cenário

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A Pesquisa Anual de Serviços – CEBRASSE (Realizada com base no último PAS-IBGE e dados da Receita Federal) é realizada na CEBRASSE desde 2015. Este ano, dois grandes segmentos juntaram-se sob o guarda-chuva da Central: o atendimento á saúde e a atendimento a todas as modalidades de educação no Brasil

Na última semana, a Central Brasileira do Setor de Serviços lançou a Pesquisa Anual de Serviços Empresariais não Financeiros (PAS) 2021. De acordo com o relatório, do cadastro básico de seleção foi elaborado a partir do Cadastro Central Social – RAIS (2020), e pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged -, do Ministério do Trabalho e Emprego (de 2020).

O relatório também destrincha as atividades e a representatividade da Cebrasse. Hoje, a entidade fala em nome de 878.098 empresas, que empregam 8. .374.446 trabalhadoras e trabalhadores; investem R$ 217.283.354 em salários, retiradas e outras remunerações; e possuem uma receita bruta de R$ 882.127.633. O estudo da Cebrasse tem como objetivo identificar as representações de cada segmento dentre as entidades da classe vinculadas à Central.

Em complemento a esse estudo foram agregados números de levantamentos especiais com setor financeiro, como por exemplo o associado SINFAC, e também com dados da Secretaria Especial da Receita Federal – SRF (cadastro de Pessoas Jurídicas de junho de 2020 com dados até 2018), foram agregados mais dois segmentos representativos que a PAS 2018 não contempla, mas que também fazem parte da força representativa da Central de Serviços, são eles os números dos setores de Saúde e Educação.

“Com a adição desses dois segmentos, alcançamos o resultado de 1.166.425 empresas com 9.460.912 trabalhadores e R$ 262,1 bilhões em salários pagos. Esse diagnóstico reflete a força desse pujante setor na economia brasileira”, avalia o presidente da Cebrasse, João Diniz. “E precisamos dessa força, comprovada pelos números, para, de forma organizada, conseguir do governo e do próprio mercado o devido respeito. Somos os maiores empregadores em um país que, infelizmente, 14,8 milhões de pessoas amargam na fila do desemprego”, afirmou.

De imediato o que pode ser apontado é que o PIB observado em 2018 no setor de serviços onde está o universo Cebrasse foi de R$ 1.078.422 milhões. Em 2020, com a pandemia de Covid, o PIB caiu para R$ 1.044.591 milhões. No primeiro trimestre de 2021 o PIB acumulado em 1 ano (abril de 2020 a março de 2021) caiu ainda mais, indo para R$ 1.027.077 milhões.

Assim, estima-se de imediato que a número de empresas caiu de 1.166.425 em 2018 para 1.110.869 no início de 2021 (expectativa de que tenha chegado a quase 1.240 mil em 2019). Os empregos foram de 9.460.912 em 2018 para 9.010.300 no início de 2021 e o total de salários passou de R$ 262,1 bilhões para R$ 249,6 bilhões no mesmo período.

Vale lembrar que o PIB dos serviços onde estão os segmentos Cebrasse foi o que apresentou maior queda nos dados fechados do IBGE para o primeiro trimestre de 2021, conforme última Nota Técnica enviada.

ano

empresas

receita

empregos

salários

2021

1.110.869

1.126.503.546.147

9.010.300

249.577.214.673

PIB de serviços do universo Cebrasse

ano

pib mi

2016

950.012

2017

995.920

2018

1.078.442

2019

1.146.240

2020

1.044.591

2021

1.027.077

 

O cenário de pandemia mundial, nos últimos dois anos, levou ao fechamento de várias empresas, além do desamparo aprendido por segmentos da população (que já não acredita ser possível ter emprego formal e fonte de renda). Para o presidente do SindHosp-SP, o médico Francisco Balestrin, o momento é muito mais que desafiador. Segundo ele, hospitais, clínicas, e outras instituições de atendimento a saúde não só tem a prestação de serviços em grande escala, o que envolve por si só um imenso desgaste, como também temos que lidar com a organização desse atendimento.

Francisco Balestrin, presidente do SindHosp-SP
Francisco Balestrin, presidente do SindHosp-SP

“Temos que fazer funcionar a máquina por trás da máquina. Além disso, há a sobrecarga de atendimentos advindos da pandemia. Instalou-se, assim, um ambiente de crise que resulta em duas coisas: um ambiente inóspito para atividade empresarial e ter que lidar com a ameaça contra o setor de serviços, no qual estamos inseridos, através de uma reforma tributária que não apenas aumenta os custos, mas a carga de trabalho que deverá ser dispensado para efetivá-la na prática, pois exige um conhecimento em cadeias as quais não dominamos. Hoje, a maioria das empresas de saúde está contida no chamado sistema cumulativo, no qual a empresa é tributada sobre o valor que agrega ao produto ou ao serviço. Nós não agregamos praticamente nada, e, consequentemente, não criamos crédito para ser abatido ao final”, alertou Balestrin.

Amábile Aparecida Pacios, vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep)

Para a vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Aparecida Pacios, o setor educacional brasileiro privado é composto de – 41 mil escolas de Educação Básica, 2.100 instituições de Ensino Superior e atende 15 milhões de alunos – a pandemia impactou o setor de maneira muito severa. De acordo com a professora, em primeiro lugar porque na Educação Básica não havia hábito de trabalhar com as crianças na modalidade on-line. E no Ensino Superior, muitas famílias, após perderem a renda, escolheram o custo da educação com faculdades e universidades por não ter mais condição de continuar, mesmo fazendo curso on-line.

“Evidentemente, o setor todo está sofrendo com a questão da perda da aprendizagem por conta desse distanciamento das escolas e das universidades, nós sabemos que presencial o aluno aprende muito mais que on-line e nesse momento nós estamos buscando uma avaliação diagnóstica para que possamos mitigar essa perda de aprendizagem. Economicamente falando, nós tivemos na Educação Básica a perda de alunos que migraram para o setor público e também, no Ensino Superior, a evasão de alunos, descreveu. Segundo ela, o segmento está buscando outras soluções para poder manter os alunos conectados com as escolas, não só porque se trata de empresas, mas porque é nas escolas que está o futuro dos alunos e do país.

“Neste mesmo cenário, tivemos, durante a pandemia, a negociação com a reforma tributária e nesse aspecto a Cebrasse foi muito importante porque ela conseguiu organizar todos os setores que são prestadores de serviços de maneira que as dores e angústias que são das empresas de educação são as das demais empresas prestadoras de serviços. E com o comando da Cebrasse, nóss pudemos discutir como mitigar as nossas perdas e como continuar no cenário nacional defendendo as nossas ideias e teses, sobretudo com relação a grande reforma tributária que vem por aí. Nós e a Cebrasse trabalhamos o tempo todo e essa articulação nacional é muito importante, porque acabamos, por conta da capilaridade da Cebrasse, conhecendo a realidade do setor de serviços dos demais estados brasileiros”, afirmou Amábile.

Para Balestrin, o papel da Cebrasse também foi essencial, tanto que a entidade ingressou na base da Central por ver, nela, uma representatividade que estava em falta no setor de serviços. “Pelo novo PAS da Cebrasse, somos o segundo setor com maior número de funcionários e funcionárias do Brasil. Então, enxergamos um ambiente no qual a troca de experiências e informações é estratégica. Eu acredito que com esse mais de um milhão de empregos que criamos no país, temos força não apenas para interferir na reforma tributária, mas também na reforma administrativa (que ao meu ver deveria acontecer antes da tributária) e com a necessária reforma política. Precisamos mudar vários modelos que hoje emperram o nosso país e a Cebrasse estará na liderança dessas discussões”, avaliou o presidente do sSindHop/SP.

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