O cemitério moral do bolsonarismo

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Catarina Rocha Monte*

É urgente que o Brasil reaja com uma articulação de forças capaz de romper os extremos do populismo demagógico

O coronel Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, em seu depoimento à CPI da Covid, tentou justificar o atraso na aquisição da Coronavac, alegando que, à época das negociações, a referida vacina estava na fase 3 e que temia um “cemitério de vacinas”.

Tal depoimento reforça o cemitério moral que se tornou o bolsonarismo, por onde vagueiam a subserviência, o fanatismo, a mentira e a corrupção: há o esquema miúdo das rachadinhas e o esquema graúdo do Bolsolão; há ministro do Meio Ambiente investigado, líder do governo no Senado indiciado; há esquema de desinformação e destruição de reputações, há aparelhamento ideológico de órgãos públicos, tentativa de cooptação das Forças Armadas, do Congresso, da PGR; há documento falso plantado no TCU.

Há motivos de sobra para o derretimento do apoio a Bolsonaro. Mas há a eterna sedução do poder e há muita demagogia e oportunismo do outro lado, fazendo com que alguns ainda se agarrem ao péssimo para evitar o retorno do ruim.

A despeito de ter votado em Bolsonaro em 2018, vejo agora todo o desastre do seu governo, que corrói as instituições, radicaliza a polarização, alimenta a discórdia entre os brasileiros, manipula pessoas de boa-fé estimulando um messianismo barato, instiga os instintos primários dos que querem se provar machos adorando um mito, enterra a luta contra a corrupção e, principalmente, sabota todas as boas práticas de combate a essa pandemia devastadora.

É fato que intolerância, fanatismo e culto à personalidade tornaram-se a alma mesma do bolsonarismo; do mesmo modo que foi e continua sendo do lulismo. Por isso mesmo, nem a esquerda nem o lulopetismo devem ter o monopólio da oposição a Bolsonaro. Liberais, conservadores, democratas e humanistas almejam um novo caminho. É urgente que o Brasil reaja com uma articulação de forças de centro-esquerda, centro e centro-direita capaz de romper os extremos da via do populismo demagógico autoritário.

Catarina Rochamonte é doutora em filosofia, autora do livro ‘Um olhar liberal conservador sobre os dias atuais’ e presidente do Instituto Liberal do Nordeste (ILIN)

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