Indicadores são ainda mais essenciais para os negócios em tempos de pandemia

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Indicadores são ainda mais essenciais para os negócios em tempos de pandemia

A recomendação é dada por especialistas da área de segurança privada e serviços do país. De acordo com eles, os indicadores são termômetros precisos das atividades das empresas

No início de 2020, as empresas do mundo estavam fechando (ou tinham preparado) seus planejamentos para o ano; talvez, até, para um período mais longo. E aí veio a pandemia de Covid-19 e o mundo virou de pernas pro ar. Os impactos foram enormes e os negócios precisaram incrementar suas estratégias, trabalhar ainda mais para encontrar saídas e continuar funcionando, atendendo os clientes e empregando trabalhadores. Em uma live realizada no último dia 26, Renata De Luca, da Security Seguranças e Serviços, associada da Cebrasse, falou em conjunto com outros convidados sobre os esforços concentrados na gestão das empresas no atual cenário, lançando mão dos indicadores atrelados ao planejamento estratégico. É uma tarefa fácil? Nem um pouco.

“Nosso planejamento de trabalho foi, sim, impactado pela pandemia. E o principal choque foi na revisão do planejamento estratégico, que tradicionalmente serve para um, dois ou até cinco anos (a visão de longo prazo). Tivemos que fazer revisão de planejamento dentro do próprio ano. A cada três meses, observando e fazendo as mudanças, a pandemia nos fez encurtar os ciclos de planejamento estratégico. Trabalhamos mais do que em outras épocas do ano, pois por ser um serviço essencial, exigiu mais esforço e dedicação. Os clientes também não sabiam o que fazer com aqueles protocolos iniciais – afasta ou não afasta? -, então foi um momento de muita incerteza”, descreve Erasmo Prioste, diretor de Marketing da Security ao comentar o conteúdo da live, após ser consultado pela assessoria de comunicação da Cebrasse, e comparar a realidade enfrentada pelas empresas do setor de serviços.

E os indicadores nesta história? A diretora de Recursos Humanos da empresa, Renata De Luca, que participou do debate no canal CT Segurança sobre o tema e explicou estas ferramentas. “O nome correto é ‘indicadores de desempenho’ ou KPIs (indicador chave de desempenho em português). São nada mais do que métricas. Tudo que se tenta medir com muita subjetividade é difícil obter resultados confiáveis; mas quando transforma em indicadores, está criando métrica, e aí os números não mentem. A matemática é real, uma ciência exata. Assim, é possível conseguir avaliar certo desempenho ou resultado com precisão e, a partir daí, traçar planos de ação e objetivos de onde quer chegar. Resumindo: os indicadores são métricas que codificam a performance de uma empresa, de acordo com o objetivo daquela organização”, explicou.

Funciona no atual cenário?

Para conseguir superar os desafios na empresa onde atua, explica Prioste, foi preciso percepção do momento, da presença da empresa e, por fim, ter ‘jogo de cintura’. “Outra situação que nos fez ter bastante agilidade no trabalho foi o fato de estarmos atuando em mais da metade do território brasileiro. Hoje, estamos presentes nos estados responsáveis por 94% do PIB. E o que aconteceu? Teve ciclos. Enquanto em alguns estados a pandemia estava forte, por exemplo, no sudeste, não havia chegado ainda no centro-oeste, então enfrentamos vários momentos e picos de Covid em regiões do Brasil. E isso, apesar da situação mais controlada, permanece até hoje, ainda temos muita concorrência e situações de pico de pandemia”, descreveu Prioste.

Essa mudança constante de cenário exigiu uma mudança não só de postura, mas também de objetivos. “O histórico dos indicadores na segurança vem, como na maioria dos outros negócios, a partir de sofrimento, de uma necessidade gerada pelo mercado. Todos nós que atuamos na área sabemos que a segurança patrimonial já teve anos e períodos com margens nos contratos maiores, aonde isso dava, para as empresas, uma pouca mais de elasticidade na prestação de serviço. As margens dos contratos eram mais alargadas do que são hoje, isso permitia um gerenciamento de custo, um gerenciamento de desempenho um pouco mais tranqüilo. E a realidade, no nosso país, veio mudando. E não mudou só para as empresas de segurança, empresas compradoras, por exemplo, também têm seus orçamentos apertados ali no fio. Também precisam gerenciar e controlar qualquer tipo de saving. Hoje, as empresas trabalham com margem de rentabilidade dos contratos muito mais justas e isso leva a necessidade de uma performance grande”, destaca Renata.

Apertar o cinto e manter o foco

De acordo com Renata de Luca, os tempos são, de fato, outros. Segundo ela, se uma empresa tem margem de rentabilidade de 50%, pode se permitir errar em algumas coisas, ou gozar de mais privilégios, como as empresas mais antigas do setor de segurança, que, diz, tinham muito mais lucro e podiam adotar “algumas extravagâncias dos próprios empresários e dos próprios prestadores de serviço”. Mas isso mudou.

“Isso não é mais possível, devido a realidade que o nosso mercado vive a cada dia. Isso leva a necessidade de perfomar, na ponta do lápis. Controlar um pouco mais o resultado de contrato a contrato, porque se não aquele contrato que foi fechado com margens de 10, 12, 15, 20%, se não gerenciado, pode chegar a 2%, 0%, -5%. Isso falando em prestação de serviço patrimonial. E é bom lembrar que grande parte do teu contrato vai em folha de pagamento e sobra pouco para fazer outro tipo de gestão. Então, os indicadores surgiram por quê? Pela dor da necessidade de ter um controle melhor da própria performance”, destacou. E com relação a venda, óbvio que também há impacto.

“Na prestação de serviços este é um desafio muito grande porque o cliente hoje quer entender o que está comprando. Nós mesmos somos clientes mais exigentes, então, para vender a esse cliente/tomador antenado, precisamos quantificar ao falar dos serviços que estamos vendendo. E como fazemos isso? Através de pesquisas, que gera indicadores e apontam o plano de ação adequado”, aconselha Renata. Para exemplificar, no caso da Securty foi importante o fato de existir uma cultura de trabalhar com os indicadores. Algo que pode ser adotado não importa o tamanho da empresa. Com a chegada da pandemia, explica o diretor de Marketing, os dados sinalizaram se a empresa estava no caminho de alcançar a meta alvejada ou não.

“Uma analogia: é como se estivéssemos fazendo uma viagem. Temos uma programação e esperamos chegar a tempo, e é o que fazemos com a empresa também. Temos uma meta anual, mas temos que checar todo mês, com menor intervalo, para saber se você chegará ao final do ano com aquela lucratividade, faturamento, venda, despesas sob controle dentro dos números esperados. Tivemos mais despesas com hora-extra, por exemplo, porque tivemos que substituir vários vigilantes que adoeceram ou foram afastados; tivemos mais contratações, então, os indicadores foram um pouco atípicos mas compatíveis com o momento de pandemia. Então, mesmo durante a pandemia, manter a atenção na gestão de números, principalmente nas operações, com os indicadores operacionais, ajuda a melhorar os resultados tanto em termos de faturamento, quanto de lucratividade nesse período”, garantiu.

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