Diretor da APM avalia vacinação contra Covid-19 e cenário da pandemia

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David Marun Cury
David Marun Cury

Nova onda do coronavírus evidencia que doença ainda pode causar danos

O mês de fevereiro inicia com uma notícia um pouco mais animadora com relação a taxa de transmissão do novo coronavírus no Brasil: caiu de 1,78, o mais alto desde julho de 2020, para 1,69 (significa que cada 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 169). Nem por isso a nova onda é menos preocupante. É o que explica o diretor de Defesa Profissional da Associação Paulista de Medicina (APM), o médico David Marun Cury.

Em entrevista ao Cebrasse News, o pediatra explicou a peculiaridade da variante Ômicron. Ele também destacou a importância da vacinação, para organizações e trabalhadores, e recomendou que as empresas continuem investindo e acreditando no crescimento, em virtude do aumento da imunização, do surgimento de novas tecnologias e medicações contra a Covid-19.

Cebrasse News – O senhor poderia explicar, em linhas gerais, a diferença da variante Ômicron para as anteriores?

David Marun Cury – A variante Ômicron tem mais de 50 modificações em relação as variantes anteriores. Só na proteína spike, que permite a penetração do vírus dentro das células do corpo humano, são mais de 30. E ela tem uma contagiosidade cinco vezes maior que as variantes anteriores, e uma multiplicação pulmonar muito mais intensa que as outras. Por isso é uma variante de preocupação.

Cebrasse News – A vacinação, na sua avaliação, tem surtido o efeito esperado?

David Marun Cury – Sim. As pessoas que tiveram duas doses de imunização, têm uma proteção de cerca de 20%. Quem tomou a dose de reforço, além das duas, tem uma proteção entre 50% a 80%. E a vacinação tem surtido efeito realmente, no entanto, essa variante ômicron ela veio com muita modificação, então, quem sofreu duas imunizações teve um risco maior de ser contagiado na faixa de 80%. E quem tomou uma terceira dose de reforço teve uma resposta muito melhor. Mas se não tivéssemos sido imunizados com nenhuma dose, seria muito pior em função do que vimos nesse filme tenebroso que assistimos nesses últimos dois anos.

Cebrasse News – Vários segmentos da economia tinham esperança de retomada este ano, inclusive em virtude da vacinação. Para o senhor, a Ômicron representa o começo do fim da pandemia?

David Marun Cury – A onda da Ômicron pode, sim, representar o fim da pandemia, que começou em 2020. Mas esse é como o vírus da influenza, ele sofrerá modificações anuais, e veio para ficar. E todo ano teremos que nos prevenir com vacinas e o tratamento que, provavelmente, sofrerá modificações. Também terão medicamentos novos, bastante efetivos, que preserve muito mais a vida dos cidadãos. O empresário é um empreendedor, então, ele deve acreditar, sempre, que as coisas vão melhorar. E pelo caminhar das coisas, se percebe que as coisas já estão melhorando, com dificuldade, sim, mas melhorando. E eu acredito que o empresário deva confiar nisso, e colocar em prática seu planejamento estratégico, inclusive de expansão, com uma certa precaução, mas procurando avançar. Não fique estagnado ou ande para trás, pois o seu segmento e a sua empresa serão prejudicados.

Cebrasse News – Quais os conselhos que o senhor daria aos empresários e líderes do setor de serviços?

David Marun Cury – O conselho que damos aos empresários do setor de serviços é que estimule os seus empregados a serem imunizados. E no caso de ter qualquer sintoma sugestivo do Covid-19, que ele procure um serviço médico de qualidade, que seja bem informado, siga as orientações médicas corretas que as coisas deverão caminhar bem. E é importante que essa imunização seja anual e, em breve, teremos avanços para que a gente possa definitivamente. O sistema de saúde está preparado realmente para responder esse Ômicron, porque o início da pandemia que veio com aquela avalanche de casos graves, acabou servindo como uma lição muito grande para o segmento, para ajustes e avanços de como cuidar do paciente, de como manejar o doente, para adotarmos ajustes e avanços, medicamentos mais apropriados, sustentação dos dados vitais do paciente e resposta às complicações. Então, o sistema está realmente preparado.

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