Crédito livre destinado às empresas tem menor desempenho

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Crédito livre destinado às empresas tem menor desempenho

As projeções feitas pelos bancos sobre a expansão do mercado de crédito neste ano recuaram de 8,3% para 7,9%, revela a Pesquisa Febraban de Economia Bancária e Expectativas, realizada a cada 45 dias, logo após a divulgação da Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Depois de registrar ligeira melhora em fevereiro, a revisão foi encabeçada pela redução na expectativa de desempenho do crédito livre, que passou de 8,2% para 6,8%, em especial no segmento destinado às empresas, que recuou de 7,3% para 5,1%. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira.

No caso das empresas, essa reversão reflete especialmente alteração recente neste mercado de crédito, diante de acontecimentos das últimas semanas, particularmente a maior cautela na concessão de crédito em razão dos episódios envolvendo as Lojas Americanas. Ao mesmo tempo, houve também redução na projeção para a expansão da carteira livre destinada às famílias (de 8,7% para 8,3%), possivelmente consequência do cenário de maior inadimplência e desaceleração econômica, que normalmente torna as concessões mais seletivas. O levantamento observou, por outro lado, que a projeção para o crescimento do crédito direcionado permaneceu estável em 8,4%.

“Assim como os números de fevereiro, a Pesquisa indica uma preocupação especial com o mercado de PJ no segmento livre”, analisa Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban. “As condições financeiras mais apertadas, o recuo da atividade e o episódio Americanas vêm afetando bastante o mercado de crédito para as empresas e provavelmente teve impacto importante nas projeções dos analistas”, complementa.

Para 2024, a média das projeções para a expansão da carteira teve ligeira alta, passando de 7,4% para 7,6%, indicando alguma estabilização do ritmo de crescimento do crédito, após o recuo esperado para este ano. Esse aumento, avalia Sardenberg, “pode indicar uma perspectiva melhor para o segmento no próximo ano, que pode se elevar ainda mais nos próximos levantamentos a depender de uma melhora no quadro macro e do consequente início do processo de flexibilização monetária”.

A Pesquisa Febraban, realizada com 19 bancos entre 29 de março e 04 de abril, reúne as percepções das instituições financeiras sobre a ata da reunião do Copom, do Banco Central e as projeções para o desempenho das carteiras de crédito no ano corrente e no próximo.

Fiscal e Selic

O levantamento identificou melhora em relação à política monetária, com alguma antecipação das expectativas para o início da flexibilização monetária e queda de juros. A maioria (63,2%) acredita que o movimento ocorra já no 3º trimestre (ante 38,9% na pesquisa de fevereiro). Assim, a mediana das expectativas projeta o início da flexibilização para setembro (-0,5 pp), dando continuidade no encontro de novembro, que levaria a Selic para 13,0% ao ano.

O levantamento também aponta que a maioria dos participantes (68,4%) avalia que a comunicação do Copom foi adequada ao não sinalizar um horizonte de corte da taxa Selic. Para outros 26,3%, o colegiado já poderia condicionar o início da flexibilização em caso de piora da atividade/crédito, dando mais flexibilidade para sua próxima decisão.

PIB

Quanto à atividade, pouco mais da metade (52,6%) dos participantes entende que as atuais projeções do Produto Interno Bruto (PIB) estão bem calibradas e o crescimento deve ficar próximo a 1,0% em 2023. O viés das expectativas ainda parece ser de alta, uma vez que 31,6% esperam alguma surpresa positiva, com alta acima de 1,0% no ano.

Inflação

Em relação às projeções de inflação, cerca da metade (47,4%) dos entrevistados acredita que a inflação deve ficar acima de 6,0% aa em 2023, com riscos de alta prevalecendo. Outros 42,1% esperam uma inflação entre 5,50% e 6,0% aa.

Inadimplência

A projeção da taxa de inadimplência da carteira livre também se alterou tanto para 2023 como para 2024. É esperada inadimplência de 4,7% da carteira livre para 2023, ante 4,4% na pesquisa anterior, refletindo novas expectativas das Instituições Financeiras com o cenário macroeconômico. O resultado representa ainda uma revisão ante o atual nível do indicador, que estava em 4,5% em fevereiro. Mas para 2024 a projeção saiu de 4,3% para 4,6%, representando ligeira melhora com relação à expectativa para a taxa deste ano.

Quanto ao aperto monetário nos Estados Unidos, 63,2% dos entrevistados projetam que os juros (Fed Funds) terminarão o ano entre 5,0% e 5,25% ao ano, o que equivale a mais uma alta de 0,25 pp pelo Banco Central americano, ante o intervalo atual, apesar dos problemas recentes no setor bancário do país.

Fonte: Monitor Mercantil

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