Cuidados paliativos são assunto de Webinar da APM

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Este é um assunto que vem ganhando espaço na área médica por visar ao bem-estar dos pacientes em situações graves, além da relação da equipe médica com a família da pessoa doente

Na última quarta-feira, 24 de maio, a Associação Paulista de Medicina promoveu um webinar sobre “Cuidados paliativos”. Este é um assunto que vem ganhando espaço na área médica por visar ao bem-estar dos pacientes em situações graves, além da relação da equipe médica com a família da pessoa doente.

O evento foi apresentado pelo presidente da entidade, José Luiz Gomes do Amaral, com moderação dos diretores Científico e de Economia Médica e Saúde Baseada em Evidências da APM, Paulo Pêgo e Álvaro Atallah, respectivamente. Como palestrantes, Ricardo Tavares de Carvalho, cardiologista e coordenador do Núcleo Técnico Científico de Cuidados Paliativos do Hospital das Clínicas da FMUSP; e Paula Vincenzi Gaiolla, pediatra e coordenadora do Grupo de Cuidados Paliativos da criança cardiopata do HC/FMUSP.

Amaral iniciou o encontro dizendo: “Estamos aqui reunidos em torno de um tema muito atual, extremamente relevante, que são os cuidados paliativos”. Paulo Pêgo falou sobre os palestrantes: “É um grande prazer conversar com duas pessoas que conhecem tão bem esse assunto, e certamente iremos aprender bastante com as suas contribuições”.

Importância dos cuidados paliativos

Ricardo Carvalho começou explicando o que são os cuidados paliativos e como são vistos no Brasil. De acordo com o cardiologista, costuma-se associá-los à morte, sendo que esses cuidados estão ligados diretamente à proteção quanto ao sofrimento físico e psicológico dos pacientes próximos a findar o seu ciclo de vida, sendo necessário ter sensibilidade para lidar.

Segundo dados de 2011 apresentados por ele, das 29 milhões de mortes que aconteceram naquele ano, 20,4 milhões de pacientes necessitaram receber cuidados paliativos, em especial a população idosa, com 70% das necessidades. No Brasil, estudos mostram que mais de 600 mil mortes são por doenças de evolução crônica, o que deixa claro que algo em torno de 50% dos enfermos no País necessitam do tratamento paliativo. Entretanto, estima-se que apenas 10% dos pacientes cardiopatas que necessitam de cuidados paliativos realmente os recebem.

“Este é um procedimento que deve ser feito em qualquer momento da doença, no começo e na evolução, é o papel do bom médico possibilitar o máximo de bem-estar possível dentro das condições que o paciente se encontra. Essa recomendação e conceito hoje estão presentes nas grades curriculares dos mais diversos cursos de Medicina do País, e é ensinado também na residência médica”, afirma o cardiologista.

O palestrante ainda apresentou as perspectivas e metas sobre a cultura paliativa: “Temos que desenvolver no Brasil uma junção de assistência, ensino e pesquisa, para que essa possa se tornar uma área forte, bem estruturada, pois tem muito a oferecer do ponto de vista médico”.

Ao concluir sua fala, frisou sobre a agregação de valor à vida do doente: “Precisamos agregar valor para as pessoas, pois elas sabem que estão próximas da morte e necessitam de atenção e cuidados”.

Cuidados paliativos pediátricos

Ao iniciar sua apresentação, Paula Gaiolla ressaltou a diferença dos cuidados: “Existe uma particularidade com crianças, com mais membros envolvidos nos cuidados, mais pessoas para cuidarmos. Uma outra questão bem desafiadora é a tomada de decisão, pois até os 18 anos quem vai definir [o que deve ser feito] é a família. Na maioria das vezes, os médicos ficam angustiados porque os pais optam por um caminho diferente do que eles sugerem”.

A pediatra recomenda em quais casos deve-se recorrer aos cuidados paliativos na infância, como as condições em que a cura é possível, mas pode haver falha (câncer e cardiopatia); condições que requerem tratamento complexo e prolongado (aids, fibrose cística e anemia); e doenças em que o os tratamentos são apenas paliativos desde o diagnóstico e condições incapacitantes graves e não progressivas (paralisia cerebral e prematuridade extrema).

“Nas gestações, 1,2% [dos fetos] tem má formação. Nestes casos, deve haver um acompanhamento multiprofissional focado na família, com uma comunicação empática e progressiva sobre detalhes de diagnósticos a curto, médio e longo prazo. Dependendo da configuração da família, recomenda-se o vínculo entre os pais e o bebê, e a confecção de memórias, pois pode ser que a criança só sobreviva durante o período da gestação. A elaboração de um plano de parto é muito importante, uma vez que o paciente possa vir a ter poucas horas de vida”, orientou a profissional.

Ela ainda salientou acerca da importância de permitir a visitação dos familiares às crianças doentes. “A melhor forma de cuidar da dor dessas famílias e dos pacientes é liberar visitas independentemente da idade da pessoa. Sempre há receio sobre o que uma criança de 3 anos, por exemplo, irá fazer em uma UTI, mas isso ajuda a vivenciar o luto de melhor forma, torna o processo menos doloroso para todos”, finalizou.

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