Sem dados confiáveis sobre ESG, prestadores têm sido descartados antes mesmo de negociar. E quem opera o contrato fica exposto.
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No setor de serviços, falar de sustentabilidade virou lugar-comum. O desafio agora é provar. Foi justamente essa transição — do discurso para a mensuração — o foco do painel “A tecnologia aplicada ao setor de serviços pelo viés da sustentabilidade: de mãos dadas para a redução das emissões”, realizado no Fórum de Sustentabilidade do Setor de Serviços da Cebrasse.
Mediado por Paulo Perrotti, CEO da LGPD Solutions, o painel reuniu representantes de empresas que estão à frente da transformação ESG com base em dados, automação e inteligência de processos. Participaram da discussão:
- Marcelo Gomes, CEO da Nexti
- Caio Pimenta e Lucas Pontes, especialistas em ESG da área de consultoria da RSM Brasil
- Eduardo Silvestri, CEO e fundador da Carbontech
- Ana Paula Stefanutto Nemer Ribeiro, gerente de negócios e dados ESG do Grupo Capgemini – Business Services Brasil
ESG como vetor de eficiência (não de custo)
Marcelo Gomes, da Nexti, que atua com digitalização de rotinas trabalhistas, foi direto ao ponto: “ESG é visto como custo por quem ainda não entendeu que ele reduz desperdício.” Segundo ele, empresas perdem cerca de R$ 5 mil por colaborador, por ano, com falhas simples de gestão — desde horas extras indevidas até ações trabalhistas evitáveis. “Esse dinheiro escorre por entre os dedos. E o ESG bem estruturado, com dados e automação, ajuda a estancar essa perda.”
A tecnologia democratizou o ESG
Representando a RSM, Caio Pimenta e Lucas Pontes reforçaram que práticas de sustentabilidade, antes restritas a grandes corporações, agora estão acessíveis também para pequenas e médias empresas. A viabilização veio com tecnologia: sensores de consumo, plataformas de reporte, controle de emissões e gestão de resíduos com rastreabilidade. “Hoje, não é mais uma questão de porte. É de decisão estratégica”, pontuou Pontes.
Eles também alertaram para as novas normas de reporte, como as IFRS S1 e S2, que vão exigir padronização e transparência na divulgação de informações ESG. “Mesmo empresas que não estão diretamente reguladas serão pressionadas pela cadeia — especialmente fornecedores de grandes grupos.”
Governança de dados como ponto de partida
Ana Paula Stefanutto, da Capgemini, trouxe o olhar da tecnologia embarcada na operação: “Toda decisão baseada em dados confiáveis tem impacto na sustentabilidade. Inclusive na forma como os serviços de TI são entregues.” Para ela, ESG sem governança de dados é apenas uma narrativa — e essa fase já passou.
Ela também destacou que a mensuração de impacto passou a ser decisiva na contratação de fornecedores, inclusive em processos públicos. “Quem não mede, não comprova. E quem não comprova, sai do páreo.”
O consumidor como peça final da equação
Eduardo Silvestri, da CarbonTech, acrescentou um ponto-chave: envolver o consumidor final. “De nada adianta uma empresa ser neutra em carbono se o público não sabe o que isso significa.” A CarbonTech desenvolve ferramentas que calculam e comunicam a pegada de carbono de produtos e serviços, e segundo ele, essa será uma nova fronteira para a competitividade. “Transparência gera valor de marca. E isso vai vender mais que o marketing tradicional.”
Diagnosticar primeiro. Depois agir.
Ao fim do painel, a fala de Paulo Perrotti resumiu o tom da discussão: “ESG que não começa com medição é só maquiagem. Diagnostiquem, organizem dados e comecem pequeno, mas com seriedade.” A mensagem para o setor de serviços é clara: tecnologia e sustentabilidade não são mais caminhos paralelos. São agora a mesma estrada — e ela cobra pedágio de quem ainda não se adaptou.




