Durante sua participação no 1º Fórum de Sustentabilidade do Setor de Serviços, realizado em São Paulo pela Cebrasse, o secretário executivo de Mudanças Climáticas do município, José Renato Nalini, fez um alerta contundente sobre os efeitos do crescimento urbano desordenado e das mudanças climáticas na capital paulista. Com dados técnicos e uma apresentação detalhada das ações da prefeitura, Nalini destacou que plantar árvores é a melhor tecnologia disponível contra o aquecimento global nas cidades.
“A diferença de temperatura entre uma região arborizada e outra sem árvores pode chegar a 10 graus. E, ironicamente, os locais que mais precisam de árvores são justamente os que mais resistem a elas, alegando que estragam a calçada, sujam com folhas ou escondem bandidos”, criticou.
Nalini lembrou que São Paulo é fruto de décadas de crescimento sem planejamento, e que parte das enchentes enfrentadas hoje é consequência da retificação dos rios, como o Tietê, que agora “tenta recuperar seu espaço natural”.
A cidade enfrenta riscos crescentes de inundações, ondas de calor e secas meteorológicas, especialmente nas regiões periféricas, que concentram os maiores índices de vulnerabilidade social. Segundo o secretário, a temperatura média da cidade aumentou 2,3 °C entre 1933 e 2017, o que intensifica os desafios urbanos.
Outro ponto de destaque foi o alerta sobre a contaminação por microplásticos, já encontrados em veias, cérebro e no consumo diário de água da população, algo que, segundo Nalini, ainda é subestimado em termos de riscos à saúde pública.
Nalini também apresentou o Plano de Ação Climática do Município de São Paulo, que inclui:
- Redução incondicional de 20% das emissões de gases do efeito estufa até 2030;
- Meta de zerar as emissões líquidas até 2050 (condicionalmente);
- Fortalecimento de infraestrutura verde, com mais de 235 mil árvores plantadas desde 2021 e previsão de outras 120 mil até a COP 30;
- Ampliação da mobilidade sustentável, com ônibus elétricos, ciclovias e sistemas de transporte aquaviário;
- Avanço em coleta seletiva, compostagem e educação ambiental.
Em sua fala de encerramento no painel, o secretário ressaltou a importância do engajamento empresarial na pauta climática e elogiou a realização do evento:
“Queria cumprimentar a Cebrasse porque o evento foi um sucesso. É muito importante que as empresas assumam o seu papel, o seu protagonismo, para ajudar a humanidade a se salvar dessa ameaça que é a maior que já existiu em toda a história do homem sobre o planeta. As participações foram extremamente lúcidas, coerentes, vimos muita inovação. Aprendi bastante, e acho que todos aprenderam”, disse.
A participação de Nalini reforçou o papel estratégico do poder público no enfrentamento da crise climática e apontou caminhos práticos para engajar a sociedade, promover adaptação e mitigar impactos com base na ciência, na inclusão social e na responsabilidade coletiva.




