A Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse) divulgou nesta semana um estudo inédito que lança luz sobre dois fenômenos estruturais do mercado de trabalho brasileiro: a crescente rotatividade da mão de obra e a persistente informalidade. O levantamento abrange o período entre o primeiro quadrimestre de 2023 e o primeiro quadrimestre de 2025, e revela dados que preocupam empresários, trabalhadores e formuladores de políticas públicas.
De acordo com a análise, a rotatividade da mão de obra formal aumentou 8,7% no período analisado. O crescimento foi puxado principalmente pelos setores da indústria (10,4%), comércio e reparação de veículos (10,7%) e serviços (9,4%). A informalidade também avançou: do total de 4,9 milhões de novos postos de trabalho criados no país, 1,2 milhão — ou 25% — foram ocupados por trabalhadores informais.
“O estudo mostra que a informalidade continua sendo uma válvula de escape para o trabalhador, mas também um entrave para o desenvolvimento do país. É um alerta para o poder público: precisamos de medidas mais robustas que incentivem a formalização, desonerem a folha de pagamento e tornem o ambiente de negócios mais previsível”, afirma João Diniz, presidente da Cebrasse.
Segundo o estudo, o aumento da informalidade está diretamente relacionado à alta rotatividade. Vínculos informais, por não estarem amparados por garantias legais como aviso prévio e FGTS, tendem a gerar relações mais instáveis, com ciclos curtos de emprego.
Outro dado relevante é o crescimento de 10% no número de empregadores sem CNPJ, o que reforça o avanço de empreendimentos informais e a fragilidade da inclusão produtiva em diversas regiões do país.
Para a Cebrasse, é urgente a adoção de políticas públicas que favoreçam a formalização, com foco especial em micro e pequenas empresas, que são responsáveis por boa parte da geração de empregos no Brasil. A entidade defende a simplificação de obrigações acessórias, a revisão de legislações que desestimulam a contratação formal e a desoneração da folha como caminhos estratégicos para reverter esse quadro.
“O Brasil precisa de um mercado de trabalho dinâmico, mas também estável. Só assim conseguiremos gerar renda com dignidade e ampliar a base de contribuintes da Previdência Social”, conclui João Diniz.




