A Cebrasse realizou no último dia 27 o NewGen Cebrasse, evento voltado à nova geração de lideranças e à discussão de tendências estratégicas para o setor de serviços. A programação contou com duas palestras principais: “Oportunidades do Setor de Serviços com os Jogos”, ministrada por Bruno Omori, diretor de Hospitalidade e Jogos da Fhoresp, e “Inteligência Artificial Aplicada a Serviços”, apresentada por Brian Bittencourt, executivo de marketing da Woba.
O potencial econômico dos jogos no Brasil
Bruno Omori destacou o impacto econômico que o Projeto de Lei 2.234/2022, em tramitação no Senado Federal, pode gerar para o país. A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados e prevê a legalização de cassinos, bingos e apostas em corridas de cavalos. Segundo estimativas da Fhoresp, o Brasil pode se tornar o terceiro maior mercado de jogos do mundo, atraindo investimentos superiores a R$ 382 bilhões e impulsionando o turismo nacional.
Omori explicou que o setor deve beneficiar diretamente a hotelaria, o entretenimento e a economia de destinos turísticos. “O montante será injetado em um ano após a sanção do PL, e 12% da arrecadação tributária será destinada ao turismo”, afirmou. Ele detalhou ainda que os cassinos integrados a resorts poderão contar com até 4 mil máquinas caça-níqueis, 600 mesas de jogos e mil apartamentos — modelo que já transformou economias locais em países como Estados Unidos e Espanha.
O presidente da Cebrasse, João Diniz, reforçou que o turismo é uma cadeia produtiva ampla e estratégica. “Turismo não é apenas praia e serra. É uma macroeconomia que gera emprego, renda e oportunidades. Já temos 70 milhões de brasileiros viajando e podemos dobrar esse número com incentivos, eventos e divulgação do país”, afirmou. Diniz defendeu ainda que a aprovação do projeto dos jogos no Senado “corrige uma hipocrisia brasileira”, já que as apostas esportivas estão liberadas, mas os cassinos — que geram empregos e movimentam o turismo — ainda não.
Inteligência artificial e produtividade corporativa
Na segunda palestra, Brian Bittencourt, da Woba, apresentou o impacto da inteligência artificial na transformação da gestão de espaços corporativos e serviços. A Woba é considerada a “Booking dos coworkings”, conectando mais de 2 mil espaços de trabalho flexíveis a 400 empresas em um modelo de assinatura. “Nossos clientes, como Itaú, XP e Cielo, economizam entre 30% e 50% dos custos mensais em comparação a escritórios tradicionais”, destacou.
Bittencourt explicou que a IA aplicada a facilities já permite decisões automatizadas — como controle inteligente da temperatura conforme a ocupação do ambiente — e gestão de ativos baseada em dados. Ele citou ferramentas como Relevance e a evolução de plataformas como o ChatGPT como exemplos de recursos que aumentam a eficiência e estimulam os colaboradores.
Ao ser questionado por João Diniz sobre os gargalos para o avanço da IA no Brasil, Bittencourt destacou a falta de base educacional. “O Brasil é um dos maiores mercados da OpenAI, mas ainda estamos atrás de países como China e EUA, onde a inteligência artificial já faz parte da grade curricular das escolas”, observou.




