Após a recente aprovação provisória do acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, especialistas e representantes setoriais começam a delinear os efeitos potenciais da parceria que nasce após mais de duas décadas de negociações. O presidente da Cebrasse, João Diniz, destacou que os impactos serão assimétricos, beneficiando alguns setores e pressionando outros.
O acordo UE-Mercosul, que pretende eliminar cerca de 91% das tarifas sobre produtos negociados entre os blocos, potencialmente cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, envolvendo aproximadamente 780 milhões de consumidores. Ele ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos países do Mercosul para entrar em vigor.
Segundo Diniz, “como qualquer acordo comercial, há setores que se beneficiarão e outros que terão dificuldades de competir”. A abertura promete favorecer particularmente agricultura, agronegócio e mineração brasileiros, ampliando a participação em mercados europeus e gerando efeitos indiretos positivos em cadeias produtivas que suportam esses segmentos.
Serviços no centro da transformação econômica
O presidente da Cebrasse ressalta que, embora o texto seja essencialmente sobre comércio de bens, serviços serão fortemente influenciados pelo novo ambiente. Áreas como transportes, logística, engenharia, consultorias e tecnologia da informação (TI) devem sentir impactos diretos e significativos, tanto pelo aumento de demanda quanto pela intensificação de concorrência e integração internacional.
Setores ligados a eventos, viagens corporativas, feiras e encontros de negócios também podem colher vantagens, com turismo, hotelaria e alimentação sendo citados como beneficiados pela intensificação das relações comerciais entre empresas brasileiras e europeias.
“O turismo de negócios deve ganhar impulso com mais missões empresariais e deslocamentos internacionais”, observa Diniz.
Entre os ramos que devem enfrentar maiores desafios, Diniz cita máquinas, produtos farmacêuticos e químicos, setores onde a produção europeia — especialmente da Alemanha e da França — tem elevada competitividade e escala internacional. A entrada desses bens no mercado brasileiro com tarifas reduzidas pode pressionar fabricantes locais, exigindo adaptações e ganhos de eficiência.
Essa preocupação converge com análises externas que apontam que certos segmentos industriais no Mercosul podem sofrer consequências de concorrência mais intensa, sobretudo se falta política pública para apoiar modernização e inovação.
Quem ganha? Quem perde?
Ainda que os benefícios comerciais sejam amplos, a avaliação de Diniz coincide com economistas que destacam a natureza desigual das repercussões:
- Setores exportadores de commodities e produtos agrícolas — tendência de aumento de participação no mercado europeu.
- Setores de serviços vinculados ao comércio exterior — oportunidades de crescimento com maior integração.
- Serviços intensivos em tecnologia e logística — potencial de expansão em um cenário de maior fluxo comercial.
- Indústria de bens de capital, farmacêutica e química — competição europeia poderá intensificar, trazendo desafios para produtores nacionais.
- Turismo de negócios e hospitalidade — perspectiva positiva de receitas e movimentação econômica.
Um pacto complexo, em meio a debates climáticos e políticos
Além das questões econômicas, o acordo enfrenta resistências políticas e sociais, especialmente na Europa, onde agricultores e ambientalistas manifestam preocupações sobre padrões regulatórios, competição e impactos ambientais associados ao aumento de exportações de commodities.
Enquanto isso, no Brasil o debate econômico passa a incorporar a necessidade de políticas industriais e de serviços que garantam capacidade competitiva frente à nova dinâmica de comércio global que o acordo UE-Mercosul promete instituir.
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