A diretoria da Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse) se reuniu nesta quarta-feira (26), em São Paulo, para discutir pautas estratégicas para o setor, com destaque para a PEC do Emprego (desoneração da folha de pagamento) de autoria do senador Laércio Oliveira e a proposta de redução da jornada de trabalho no país. Durante o encontro, também foi oficializada a posse de Rui Monteiro como presidente do Conselho da entidade.
O principal foco do debate girou em torno de dois projetos que têm mobilizado o setor de serviços: a desoneração da folha de pagamentos, proposta pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), e a possível adoção de uma nova jornada de trabalho de 36 horas semanais, com escala 4×3 — medida criticada por lideranças empresariais.
O presidente da Cebrasse, João Diniz, afirmou que a entidade tem atuado junto ao Congresso Nacional para defender a aprovação da PEC do Emprego e negociar sobre a proposta de redução da jornada.
Segundo ele, a redução da jornada máxima de trabalho para 36 horas semanais pode elevar, em média, em até 27,5% o custo com remuneração das empresas brasileiras. É o que aponta estudo técnico divulgado pela Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse), que analisa os impactos econômicos da medida em um cenário de queda persistente da produtividade no país. “A Cebrasse tem mostrado os números. Os preços vão aumentar e haverá impacto no emprego”, afirmou. Confira a matéria:
Diniz também demonstrou preocupação com o cenário político, destacando que o tema pode ganhar força por razões eleitorais. “O perigo é que estamos em ano eleitoral, e o fim da escala 6×1 pode avançar por ser uma pauta eleitoreira. Isso pode gerar desemprego e aumento de preços”, alertou.
IMPACTOS ECONÔMICOS
Representantes de federações e sindicatos presentes na reunião reforçaram a necessidade de mobilização para influenciar o debate no Congresso. O presidente do Seac-MG, Renato Fortuna, manifestou preocupação com uma eventual redução significativa da jornada de trabalho, destacando os impactos operacionais para o setor.
Já a presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amabile Pacios, afirmou que a mudança seria especialmente prejudicial para a educação privada. “Para as escolas, reduzir de 44 para 40 horas é um desastre, pior ainda se for para 36h. Vamos apoiar o projeto do senador Laércio”, disse.
O presidente do Sinfac, Hamilton de Brito, defendeu que mudanças na jornada devem ser tratadas por meio de negociações coletivas, e não por legislação. “A jornada de trabalho tem que ser definida por acordos coletivos. Mas o que estamos percebendo é que a redução pode avançar”, afirmou.
Ele também destacou os benefícios da PEC do Emprego para o setor de factoring. “O projeto do senador Laércio é excelente. Para nós, pode reduzir os impostos pela metade”, avaliou.
EVENTOS DO SETOR
Além das pautas legislativas, a reunião também tratou da agenda institucional da entidade. Entre os destaques está a realização de um evento com o deputado Guilherme Derrite, marcado para o dia 6 de março, às 13h.
Também foi anunciada a realização do IV Encontro Nacional do Setor de Serviços (Enass), que acontecerá no dia 19 de março de 2026, em Belo Horizonte.
Outro ponto abordado foi a participação da Cebrasse na feira Infra FM, que será realizada entre os dias 9 e 11 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento contará com o espaço “Cebrasse Experience”, com palestras sobre inovação, tecnologia e cenário político. Entre os nomes confirmados está o ex-ministro Gilberto Kassab, que abordará o panorama político nacional.




