Fenavist e ABCFAV publicam cartilha “Segurança sem Preconceito”

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Ricardo Tadeu Correa, presidente da ABCFAV
Ricardo Tadeu Correa, presidente da ABCFAV

Além da publicação, entidades também lançaram um selo. As iniciativas têm como objetivo de disseminar conceitos de equidade, respeito às diferenças e inclusão social na formação e reciclagem de vigilantes

No final do mês de novembro, a Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) e a Associação Brasileira dos Cursos de Formação e Aperfeiçoamento de Vigilantes (ABCFAV) lançaram o selo e a cartilha “Segurança Sem Preconceito”. O material voltado ás empresas e entidades associadas traz um conteúdo cuidadosamente pesquisado e que toca em um tema essencial na prestação de serviços de segurança: o combate a qualquer tipo de ato de discriminação – seja em função de cor, etnia, religião, orientação sexual e/ou identidade de gênero, nacionalidade, condições físicas ou grupo social – por parte de profissionais e empresas de segurança privada.

De acordo com Ricardo Tadeu Correa, presidente da ABCFAV, a primeira edição da publicação é uma das iniciativas do setor de Segurança Privada criada para mostrar a todos os empresários, ao corpo administrativo e aos vigilantes, a necessidade de falar em uma atuação e visão de um mundo sem preconceito e que promova os direitos humanos de todos, inclusive das minorias. “Ela reafirma o nosso compromisso de combater qualquer ato ou ação dos profissionais do segmento de segurança privada que possam ser preconceituosos ou discriminatórios”, assegurou Correa, que informou que o material tem como foco especial o setor de vigilância. “Que traz em sua missão prestar um atendimento especializado com serviços de boa qualidade ao seu contratante, já que uma das suas principais características, por ser complementar à Segurança Pública, é ter um olhar analítico e avaliativo da situação da contratada para atuar”, complementou.

O selo, por sua vez, foi criado com o intuito de divulgar a iniciativa e sinalizar o movimento permanente e ampliado, afinal, propicia um novo mindset: o de equidade e justiça social. “Sem dúvida, esse é um grande marco para o setor da Segurança Privada. Atingiremos cerca de um milhão de vigilantes em dois anos, através da multiplicação dos conhecimentos adquiridos pelos nossos docentes. Nossa iniciativa visa a equidade, o respeito ao próximo e, acima de tudo, mostrar que o setor da Segurança tem total respeito aos Direitos Humanos”, comentou Ricardo.

 

Jeferson Furlan, presidente da Fenavist
Jeferson Furlan, presidente da Fenavist

Em entrevista ao Cebrasse News, o presidente da Fenavist, Jeferson Furlan Nazário, falou sobre a importância da iniciativa, que além de estimular uma mudança de configuração na forma do setor enxergar seus públicos interno e externo, consolida uma visão mundial de respeito e tolerância. De acordo com Nazário, a Federação representa cerca de 2.500 empresas e entidades filiada. Por sua vez, essas empresas empregam mais de 520 mil vigilantes, além dos trabalhadores das áreas administrativas. Só no ano passado, o faturamento do setor de segurança privada e transporte de valores, que inclui todas as despesas e impostos pagos e não representa o lucro, foi estimado em R$ 35,7 bilhões. Todos esses dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021. Confira, a seguir, a entrevista com o presidente da Fenvist, parceira da ABCFAV na realização deste projeto.

Cebrasse News – Como surgiu a ideia da realização desse material?

Jeferson Nazário – Tanto a Cartilha como o Selo de Qualidade ‘Segurança Sem Preconceito’ surgiram do desejo de contribuir com a sociedade, com o desenvolvimento do segmento e faz parte da missão e dos objetivos da Fenavist e da ABCFAV. A cartilha faz parte de um projeto maior, que é a “Segurança sem Preconceito”, que ganhou também um selo que irá atestar quais sindicatos, associações e empresas adotam todos os requisitos necessários para que esta máxima seja reforçada e materializada na prática. A criação da certificação atende ao compromisso das entidades com o objetivo de reconhecer e ampliar os esforços para a orientação de ações que cumpram as metas do Movimento AR, tal como de todas as ações que digam não ao preconceito e discriminação de forma geral.

O selo de qualidade “Segurança sem Preconceito” nasce dessa vontade do segmento de segurança privada de atuar como ator transformador e colaborar para uma mudança estrutural da sociedade brasileira. Tem o objetivo de incentivar entidades de classe e empresas a desenvolverem ações, juntamente com seus diretores e funcionários, para disseminar, discutir e descaracterizar a visão de um mundo que se encontra ainda com um preconceito enraizado e que possa promover os direitos humanos de todos, inclusive das minorias.

A Cartilha “Segurança sem Preconceito” é uma dessas ações. Ela é uma das iniciativas do setor de Segurança Privada e sua publicação reafirma o compromisso de combater qualquer ato ou ação dos profissionais do segmento de segurança privada que possam ser preconceituosos ou discriminatórios em função de cor, etnia, religião, orientação sexual, de gênero, nacionalidade, condições físicas ou grupo social.

Cebrasse News – Para o senso comum, Direitos Humanos e Segurança Privada (ou pública) são conceitos conflitantes. Como vocês estão conseguindo superar essa ideia, inclusive reforçando a importância de organismos como a ONU, de legislações histórias como a Constituição Federal de 1988, entre outros?

Jeferson Nazário – Na verdade, mais do que supera, é preciso informar. Vou focar na segurança privada. O grande problema passa pela desinformação. Existe uma generalização incorreta provocada por falta de conhecimento, inclusive da imprensa, que generaliza nomenclaturas como se fossem sinônimos. Isso contribui para que a população construa uma visão equivocada sobre a segurança privada. Não é porque uma pessoa utiliza um colete, uma camiseta ou um crachá que ela é um vigilante, um profissional regular da segurança privada.

Para se ter uma ideia, só para citar os casos mais recentes envolvendo supermercados em São Paulo, Rio Grande do Sul e na Bahia, que acabaram em tragédias, constrangimentos e desrespeito aos direitos humanos, em nenhum deles os ditos “seguranças” eram vigilantes. Em todos eles havia a presença de segurança clandestina, ou empresa sem autorização da Polícia Federal, ou ainda desvio de função.

Antes mesmo do caso do Rio Grande do Sul, no final do ano passado, a Fenavist e a ABCFAV já trabalhavam em uma parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares e o Movimento AR. O objetivo é reforçar a capacitação dos mais de 500 mil vigilantes que atuam nas empresas formais em questões raciais e discriminatórias, bem como aprofundar as orientações sobre técnicas de abordagem, que já são ensinadas de forma exemplar nos cursos de formação.

Assim, a Fenavist, a ABCFAV e outras entidades apoiadoras, como Abrevis, ABSeg e ABTV têm atuado para desenvolver todas as ações acordadas e relacionadas às metas estabelecidas no termo assinado com o Movimento AR.

Cebrasse News – A cartilha explica muito didaticamente a importância do combate ao racismo, do apoio à diversidade, enfim, temas que continuam sendo tabus para muitas pessoas na sociedade. Como garantir que o público-alvo de vocês se apodere de toda essa riqueza de conteúdo?

Jeferson Nazário – Essa questão passa exatamente pelo o que há de mais importante no sindicalismo: todos trabalhando pelo mesmo objetivo. Em breve, a cartilha estará disponível, gratuitamente, em todos os canais de comunicação da Fenavist e da ABCFAV. Campanhas de divulgação também irão ocorrer. O material também foi enviado a todos os sindicatos e associações do segmento. Todos podem reproduzir o material e distribuir aos seus associados.

Também contamos com o apoio e a validação do material pela Universidade Zumbi dos Palmares, pela Coordenação de Políticas para LGBTI+ da Prefeitura de São Paulo, e pela Secretaria Nacional de Proteção Global do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, além do suporte às metas do Movimento AR e da Polícia Federal, órgão que regula e fiscaliza a atividade de segurança privada.
E a estratégia tem dado certo. Lançada no dia 25 de novembro, apenas dois dias depois o material já estava chegando aos vigilantes. A publicação da Fenavist e da ABCFAV foi distribuída, no último sábado, pela empresa Sefra aos colaboradores que realizaram a segurança do show da cantora baiana Cláudia Leite, na Festa Blow Out, em São Paulo. Foi o primeiro show da artista na capital paulista desde o começo da pandemia.

Cebrasse News – O que vocês esperam, para 2022, a partir da adoção desses paradigmas não tão novos, mas fundamentais na convivência humana?

Jeferson Nazário – Este tema já é trabalhado dentro da formação dos vigilantes e de suas reciclagens. Mas entendemos o papel fundamental das entidades sindicais na busca constante de uma melhor compreensão sobre os temas de preconceitos e discriminação existentes, visando conhecer as causas e as consequências sobre tudo que permeia o combate à pensamentos e ações contra a diversidade humana.

Evitar o preconceito em nosso ambiente de trabalho é fundamental, mas também é preciso que estes conceitos estejam inseridos na vivência de cada pessoa. Em vista da diversidade educacional de cada pessoa, onde se vive em um nicho próprio familiar e educacional, refletir e apresentar as diferenças como aspectos normais do convívio humano, com certeza propicia ambientes mais saudáveis.

Respeito, empatia e solidariedade, alguns dos valores essenciais para ajudar a evitar o preconceito, fazem parte das chamadas competências socioemocionais, que podem ser revistas a todo momento pelo ser humano. O desenvolvimento dessas competências, juntamente com a inteligência emocional, tem sido reconhecido através da formação, como um dos pilares necessários para a vida no século XXI. As competências socioemocionais são muito importantes no mundo atual, pois permitem desenvolver relações sociais, exercer a cidadania, tomar decisões com autonomia e colaborar para o bem comum, assim como também evitam e combatem diferentes formas de preconceito

Por isso a imprescindibilidade de que estes temas sejam sempre abordados também no setor de segurança privada. E neste sentido, finalizamos com uma fala de Nelson Mandela que resume estas ações: “Ninguém nasce odiando outra pessoa por sua cor da pele, sua origem ou sua religião. As pessoas podem aprender a odiar e, se podem aprender a odiar, pode-se ensiná-las a aprender a amar. O amor chega mais naturalmente ao coração humano que o contrário”.

:: Clique aqui para conferir a cartilha ‘Segurança Sem Preconceito’

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